MP vai convocar Reitor da UFRJ para explicar falta de repasse de verbas para centro de pesquisa de aids


O Ministério Público deve convocar o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além do presidente da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), ligada à UFRJ, para prestar esclarecimentos sobre a falta de repasse de verbas que ameaça fechar o Centro de Pesquisa Clínica para tratamento em HIV/Aids e Vacina da UFRJ (Projeto Praça Onze). Desde o mês passado o projeto passou a ser administrado pela reitoria da UFRJ, mas o coordenador do projeto, Mauro Schechter, denuncia que desde então apenas um contrato foi assinado. De acordo com a assessoria de imprensa do MP, no entanto, ainda não há data para convocação. A falta de repasse de verbas pode deixar cerca de 230 portadores de aids, tuberculose e hepatite sem tratamento.


“É a obrigação deles esclarecer essa situação. Quando a reitoria assumiu a administração do projeto, eles chegaram a pagar parte dos fornecedores e dos funcionários que estavam sem receber. Mas depois eles pararam de fazer os pagamentos e voltou a mesma situação. Apenas um contrato foi assinado e nós ainda estamos trabalhando em sistema de plantão, sem poder começar novos projetos,” afirmou Schechter, que enviou nesta segunda-feira um pedido aos patrocinadores do projeto – entre eles o governo americano – para que façam uma solicitação ao reitor da UFRJ que repasse a verba ao projeto:


“Há repasses que foram feitos em outubro, ainda para a FUJB, mas que o dinheiro não foi repassado. A fundação parou de me atender e diz que o dinheiro foi usado. Eles ainda faziam vários pagamentos com atrasos, usaram ainda o dinheiro do projeto de pesquisa para pagar os juros e as multas. Isso é ilegal.”


A assessoria de imprensa da UFRJ afirmou que não vai se manifestar sobre o assunto até que tudo esteja resolvido. No ano passado, o coordenador do projeto, fez uma representação no Ministério Público pedindo a revisão da contabilidade da FUJB, que era responsável pela administração do projeto de pesquisa. O Ministério Público determinou que fosse feita uma auditoria na instituição, que em abril enviou uma carta à reitoria do UFRJ informando que não pretendia renovar os contratos do projeto . A reitoria da universidade então passou administrar o projeto.


Exames estão sendo feitos com atraso

O projeto é um dos centros de tratamento e pesquisa de vacinas preventivas contra a aids mais importantes da América Latina. Enquanto a universidade e a coordenação do centro não entrarem em acordo, pesquisas importantes desenvolvidas pelo projeto como a cura para a aids correm o risco de parar. De acordo com a coordenadora do Laboratório de Pesquisa (DIP) do Praça Onze, principal realizador de exames de acompanhamento de pacientes do com aids da rede pública, alguns funcionários já pediram demissão e os exames estão começando a atrasar.


“Por enquanto não deixamos de fazer nenhum exame, mas como os fornecedores exclusivos estão sem receber, nosso medo é que eles deixem de prestar serviços de manutenção e prevenção nos equipamentos, que são fundamentais. E aí as previsões são as mais sombrias possíveis. Já recebemos diversas reclamações de fornecedores, inclusive de processo,” disse a pesquisadora Maria de Fátima Melo, que já precisou tirar dinheiro do próprio bolso para comprar um disjuntor novo para o laboratório:


“Era uma emergência, então eu comprei, mas até hoje eu não fui reembolsada.”


Os funcionários que trabalham na instituição contam que o problema é tão sério que eles estão vendendo papel e latas para levantar verbas para pagar gasolina e até toner para fax. No mês passado, preocupados com o possível fim do projeto, o Fórum de ONG’s AIDS do Rio de Janeiro, que representa 124 organizações envolvidas com o combate ao vírus, enviou uma carta ao Programa Nacional de DST‘s Aids/MS para que “interceda junto ao Ministro da Educação em favor da continuidade das ações do Projeto Praça Onze

Luisa Valle

Fonte: O Globo

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