Monocultivos de árvores não são florestas e causam graves problemas ambientais

Organizações de todo mundo alertam no dia 21 de setembro, Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de Árvores, sobre fome, miséria, erosão do solo, conflitos territoriais, poluição ambiental, contaminação por agrotóxicos: estes e outros problemas são causados pelas plantações massivas de árvores. Atividades no Brasil devem incluir caravana do cineclube Deserto Verde pelo interior do Estado do Rio, área de expansão destas plantações.

O ponto principal do debate mundial em 2011 – declarado pelas Nações Unidas como Ano Internacional das Florestas – é a definição de “floresta”. A proposital confusão entre floresta e monocultivo florestal gera em toda a sociedade certa simpatia pelo plantio de árvores e mascara os problemas causados pelos monocultivos.

Para citar apenas uma diferença, nas florestas há ampla variedade de espécies animais e vegetais, incluindo-se aí os seres humanos, que pela interação com os elementos – água, solo e entre si – podem conservar o ambiente. A variedade simplesmente não existe nos monocultivos empresariais e neles, os homens – especialmente as comunidades tradicionais – estão obrigatoriamente excluídos.

A definição utilizada hoje pela FAO e iniciativas da ONU, como a Convenção Marco sobre a Mudança Climática, bem como inúmeros governos nacionais em suas negociações, programas e políticas colabora para a ampliação desses monocultivos. As modificações no Código Florestal Brasileiro, que agora tramitam no Senado, são um exemplo prático e próximo da importância deste debate.

RESISTÊNCIA:

No Espírito Santo a experiência da Fase é de resistência à expansão dos monocultivos de eucalipto pelo estímulo ao protagonismo das comunidades tradicionais. No norte do estado, indígenas e quilombolas já conseguiram reconquistar áreas antes ocupadas pelo plantio homogêneo de árvores, mas precisam seguir na luta. Para se ter uma ideia dos problemas enfrentados na região, há alertas de grave insegurança alimentar que ameaçam famílias de 39 comunidades quilombolas porque seus territórios ancestrais (não demarcados) foram devastados pelos monocultivos. Hoje as famílias começam a se organizar e reunir conhecimentos tradicionais para recuperar áreas devastadas da Mata Atlântica e também para garantir a produção de alimentos saudáveis com a transição agroecológica.

Para mais informações e materiais, entre em contato com Marcelo Calazans, coordenador da Fase Espírito Santo e especialista nesse tema: [email protected]

MAIS DADOS:

O Dia Internacional de Luta contra Monocultivos de Árvores é organizado pelo Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (WRM, na sigla em inglês) e na América Latina pela Rede Latino Americana contra o Cultivo de Árvores. A Fase Espírito Santo e a Rede Alerta Contra o Deserto Verde, da qual a Fase faz parte, planejam uma caravana com o Cineclube Deserto Verde que vai percorrer pontos de expansão do eucalipto no norte/noroeste do Estado do Rio de Janeiro e também no vale do Paraíba. A data da caravana e o trajeto ainda não estão fechados, mas devem acontecer na primeira semana de outubro, dando continuidade às atividades internacionais.

O Ministério do Meio Ambiente estima que mais de 6 milhões de hectares no Brasil são ocupados hoje com árvores como pinus, eucalipto e acásia. As plantações abastecem, principalmente, a indústria de papel celulose e a siderurgia. Os planos de expansão assustam: chegaria a 12 milhões de hectares até 2020, especialmente na Bahia, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Também no Rio de Janeiro a secretaria do Meio Ambiente já anunciou uma imensa expansão: mais 1,5 milhão de hectares para “neutralizar” a emissão de gases dos megaeventos esportivos.

Veja abaixo a carta que circula na internet por iniciativa do WRM e deve ser entregue à FAO no dia 21 de setembro.

Carta Aberta à FAO

A FAO define “Floresta” como: “Terras que se estendem por mais de 0,5 hectares, dotadas de árvores de uma altura superior a 5 metros e uma cobertura de dosel superior a 10%, ou de árvores capazes de alcançar esta altura in situ (*)”.

Segundo esta definição tem sido possível substituir florestas primárias por plantações monoclonais de árvores de espécies exóticas geneticamente manipuladas, sem que isso seja considerada desmatamento. Essa definição também permite chamar de “florestas” a monocultivos industriais de árvores que se expandem a expensas da destruição de outros ecossistemas.

O problema se agrava enquanto outras organizações e iniciativas da ONU, como a Convenção Marco sobre a Mudança Climática, bem como inúmeros governos nacionais, aplicam essa definição em suas negociações, programas e políticas. Mais ainda, muitas análises e ações são implementadas a partir dessa definição.

Consideramos que a definição atualmente utilizada pela FAO deve ser mudada. Ela está muito distante de contemplar a complexidade estrutural dos ecossistemas boscosos, diversos, multiestratificados e complexos funcionalmente. Tampouco reflete sua capacidade de prover serviços ecossistêmicos fundamentais para a humanidade, como a manutenção da biodiversidade ou o armazenamento de carbono; nem contempla o papel fundamental que jogam na vida das populações locais. Agrupar sob uma mesma definição as plantações de árvores e a dos florestas naturais diversos conduz a tomar decisões errôneas. A atual definição de floresta tem consequências negativas a escala local e global, enquanto legitima a expansão dos monocultivos industriais de árvores, cujos impactos sociais, econômicos, ambientais e culturais têm sido amplamente documentados e denunciados.

Por tudo isso, os abaixo assinantes, como cientistas e profissionais de distintas disciplinas que abordam o estudo da natureza, expressamos nossa inconformidade com a definição de Floresta da FAO e instamos esse organismo a que inicie um processo de revisão da mesma.

Florestas plantadas não são florestas naturais, mas sequestram mais carbono que florestas naturais. Com o aquecimento global não vejo outra alternativa para enfrentá-lo do que plantar eucalipto. Claro que devemos preservar comunidades tradicionais e matas nativas, , um pouco de bom senso, companheiros! Uma floresta plantada é muito melhor para o planeta do que pasto para gado!

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