Missões

Conversa, sábado, 26 de setembro 2015

Estou de volta ao Recife, após uma viagem de mais de 24 horas e várias passadas em aeroportos. Fico feliz de manter esse contato com tantos grupos amigos na Itália e ter ali pessoas que são para mim como verdadeiros irmãos e irmãs. Mas, tenho certeza de que minha missão é no Brasil e especificamente agora em Recife.

Volto com vários desafios, principalmente na tarefa de escrever e preparar conferências que darei nesse mês de outubro. Mesmo tendo clareza do que pensamos, nem sempre conseguimos saber o que e como expressar de modo que faça bem aos outros. Durante toda a viagem de volta li o número especial da revista Micro-mega (uma revista italiana de esquerda) dedicado ao papa Francisco. A revista mandou dez perguntas sobre o papa Francisco a dezenas de intelectuais (a maioria italianos e franceses), gente de Igreja e também alguns não crentes. As perguntas versam sobre uma avaliação desses dois anos do ministério de Francisco como bispo de Roma.

Todos afirmaram apoiar o papa e ler o seu trabalho como positivo e importante para o mundo. Alguns apontaram para a ambiguidade da própria figura de papa que continua como chefe de Estado e que apesar de fazer gestos simpáticos e simbólicos importantes, não muda muito a estrutura da cúria romana, do governo da Igreja e nem diz claramente que seus antecessores erraram ao ignorar e mesmo combater o Concílio Vaticano II.

Alguns frisam um caso de excomunhão ocorrido já agora nos tempos do papa Francisco. Um casal austríaco que celebrou uma missa sem padre. Foi a mulher que presidiu a eucaristia. O bispo de Insburg (sua diocese) a excomungou e a Congregação da Doutrina da Fé (o cardeal Muller) confirmou a excomunhão. Eles foram excomungados por fazerem o que os Atos dos Apóstolos (a Bíblia) diz que a comunidade dos primeiros cristãos fazia sempre: celebrar a fração do pão nas casas e ao que tudo indica sem necessidade de nenhum apóstolo com eles. Poderia o papa fazer alguma coisa para que, ao menos, as pessoas acusadas pudessem ter o direito de se defender, como em qualquer tribunal leigo? Não se tem certeza. Ao menos, muita gente esperaria isso. De todo modo, agradecemos a Deus a sua profecia e pedimos que ele possa prosseguir o seu caminho entre nós, ainda ao menos por alguns anos.

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