Meu país

“Há 500 anos caçamos índios e operários,
há 500 anos queimamos árvores e hereges,
há 500 anos estupramos livros e mulheres,
há 500 anos sugamos negras e aluguéis.”

Affonso Romano de Sant´Anna. “Qué país é este?”

“Pode ser o país de quem quiser, mas não é, com certeza, o meu país.”

Zé Ramalho

Há anos venho tentando encontrar o meu país. Um país pequenininho, onde morava quando era criança.

Agora meu país está cada vez mais dentro de mim, e ao meu redor, em pequenos círculos. Família, amigos, vizinhos, pessoas dos movimentos sociais de que participo.

Mais além, um mundo onde as coisas são vidriosas, como dizia minha avó. Onde a vida não vale nada. Me deixem no meu país.

Não me queiram atrás de bandeiras que agitam para nos levarem a deixar mais corpos pelas ruas, em nome de uma revolução que se não ocorrer em casa, nunca será.

Já vi militantes sociais morrerem ao longo destes já muitos anos. Não me arrependo de ter levantado os seus nomes em nome desta revolução que me anima desde a minha origem.

Uma revolução em que sejamos capazes de nos amar uns aos outros. Um dia isto será realidade em toda a terra.

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