Meritocracia: o vale-tudo do mercado na administração pública

A meritocracia, vamos ser claros, nada mais é que um projeto político liberal que não valoriza o saber, e sim a competição. O educador, por exemplo, não tem de competir com o educador, eles devem cooperar (ah como Paulo Freire faz falta nessas horas, mas ele tá nas bibliotecas e, ainda bem, na bibliografia da maior parte dos educadores deste país).

Mecanismos de controle já existem no serviço público – vale a pena se informar com quem efetivamente lá trabalha, com todos os seus problemas a ser corrigidos –, sem a necessidade da gritaria histérica do mercado.

Eu sou contra a meritocracia porque eu tenho projeto político. Lembrando o nobre “liberal” meritocrata FHC, então presidente: “Se a pessoa não consegue produzir, coitado, vai ser professor. Então fica a angústia: se ele vai ter um nome na praça ou se ele vai dar aula a vida inteira e repetir o que os outros fazem” [FSP, 27/11/2001]. Ou o meritocrata Aécio Neves, que quando adolescente já estava com a corda toda, apoiado por… deixa pra lá.

Isso é meritocracia? Não, é o mais perfeito desprezo, mesmo, pela educação (nesse caso específico). O projeto político que se opõe a essa hipocrisia, que é de muitos, passa longe da lógica do mercado.

Aí vem os meritocratas e dizem que nada funciona fora do mercado, o Deus redentor. Quer dizer, bitch, isso é tão semana passada… tão anos 90… A História, felizmente, não acabou, ao contrário do que aquele maluco, o Tamagoshi, tinha dito…