Mensagens de Ódio Pela Internet: Um Apelo ao Ministério Público

minustah

Carlos Alberto Lungarzo

Anistia Internacional (USA) – 2152711

Numerosos sites e blogs da Internet se caracterizam pela difusão permanente de mensagens de ódio, seja político, racial, ideológico, nacional ou de qualquer outra característica. Ao mesmo tempo, nesses sites abundam afirmações falsas ou distorcidas, que são mais do que difamações ou, mesmo, calúnias pontuais. Essas declarações formam um contexto de campanha de destruição moral de certas pessoas que eles consideram inimigas.

Não está em jogo a eventual ofensa ou injúria a alguém por lhe atribuir um ato que não cometeu, ou cujo cometimento não pode ser provado. Tampouco está em questão o direito de qualquer pessoa ou organização a manifestar seu desafeto, crítica ou repúdio por outros.

O que está em pauta é uma tendência sistemática a ofender, caluniar, ridicularizar, humilhar publicamente, expor ao ódio e eventualmente, incitar a ação física contra pessoas ou grupos cujas posições não coincidem com as desses sites.

O Ministério Público deve, como mínimo, acompanhar o funcionamento desses sites e blogues, e manifestar se considera ou não esses atos como atentado à dignidade humana e incitação à violência.

Análise do Contexto

O problema da liberdade de ação e de expressão é um antigo calvário da democracia, da estratégia de Direitos Humanos e do Direito em geral. Isso não significa que o problema seja impossível de resolver. Se chegar a uma solução parece difícil é porque há muitos interesses em jogo, por um lado; e, de outro, muitas pessoas se sentem amedrontadas.

A liberdade de ninguém deveria ser limitada quando é exercida no âmbito privado ou público, sem produzir danos nos Direitos Humanos básicos de outras pessoas. Entretanto, os sistemas de poder controlam a vida privada, os direitos reprodutivos e as opções sexuais das pessoas, que são atos privados sem qualquer efeito negativo sobre os outros. Por outro lado, limitam direitos de expressão que, sejam corretos ou grosseiros, não configuram ódio nem visam a destruição moral ou física de nenhuma pessoa ou entidade. Vejamos dois exemplos:

Em alguns países, como a Itália, existe ainda a censura medieval contra a blasfêmia. Recentemente, uma pessoa foi condenada por fazer pilhéria com o Papa. Em algumas sociedades com resíduo do stalinismo, como Cuba, pode punir-se a execração dos símbolos pátrios, e até as críticas ao governo.

Entretanto, sites, rádio, TV, jornais e outras formas de mídia podem, em algumas sociedades, publicar manifestos violentos, que cultuam o ódio de maneira sistemática, e geram um sistema de lavagem (ou, melhor dizendo, de poluição) cerebral, pudendo servir, em situações críticas, como faísca para atentados.

Um exemplo famoso é o sistema de Rádio e TV chamado “As Mil Colinas” de Kigali (Ruanda), que, desde 1993, transmitiu mensagens contínuos incitando ao ódio contra a nação Tutsi, e preparando o genocídio que custaria quase 1 milhão de mortos. Tanto o diretor da emissora como o de um jornal com tendência similar foram julgados por crimes contra a humanidade, após o fim do massacre.

É verdade que a emissora tinha uma audiência enorme, e seu impacto na sociedade era gigantesco. Entretanto, se é necessário um impacto enorme para deflagrar um genocídio, não é necessária uma penetração tão grande para incitar a um ou mais atentados, sejam morais ou materiais.

Observe as preocupações das Nações Unidas com este tipo de problemas aqui.

Não nego que o assunto possa ser complicado, porque nem sempre a linha que separa uma liberdade legítima de um crime humanitário pode ser traçada com precisão. Uma amostra dessa dificuldade foi apresentada pelo caso de Richard Warman no Canadá, onde um tribunal conservador considerou que a limitação às mensagens de ódio feria a liberdade de expressão. Veja isto aqui.

No Brasil, as campanhas de ódio parecem coincidir com certas propostas de alguns políticos que desejam introduzir censura na Internet. Não posso dizer se essas campanhas estão coordenadas, mas elas possuem um caráter semelhante. As campanhas de ódio e ameaças procuram intimidar e calar defensores dos Direitos Humanos, do sistema democrático, e de um sistema jurídico equânime e objetivo. Também visam semear o terror entre os pacifistas, os inimigos do militarismo, da tortura, da pena de morte e da justiça linchadora. Atribuem a figuras desconhecidas ou públicas, atos criminosos extremos ou, até, históricos forjados de graves delitos e atentados.

Por outro lado, as campanhas para censurar a Internet parecem orientadas a impedir legalmente a manifestação dessas pessoas. Mesmo que os autores de ambos os métodos (o terror midiático e a censura legal) não estejam combinados, seu efeito é notoriamente aditivo.

A grande mídia tem uma direção ideológica e contra os DH numa proporção muito alta (uns 95% ou mais). Por causa disso, pessoas que querem expressar-se contra a impunidade dos crimes militares, a favor do direito de asilo, em prol da paz, contra as provocações internacionais, etc., só podem agir por meio da pequena mídia alternativa e, de maneira massiva, pela Internet. Então, os grupos neofascistas no seio da sociedade usam dois caminhos:

1. Individualmente ou por grupos, criam sites e blogues desde os quais desfecham violentas propagandas de destruição moral.

2. Como isso pode não ser suficiente, visam estabelecer um método de censura, com um pretexto qualquer: até agora, o mais mencionado é o perigo de que hackers ataquem os bancos (!). Esta foi a justificação de um projeto proposto por um senador que parece liderar um esquema de corrupção e atualmente está sendo investigado.

Estamos, então, numa situação paradoxal. Opiniões e críticas objetivas (sejam certas ou erradas) sofrerão censura quando estas leis forem aprovadas. Por outro lado, os autores dessas críticas são ameaçados permanentemente por sites de ódio.

Apesar das polêmicas em torno do direito de opinião, ninguém pode negar que existem leis razoáveis que restringem certo tipo de transmissão por Internet. Por exemplo, existe censura contra a pedofilia, e até as comissões que lidam com esse problema concentram suas baterias na Internet, apesar de que os maiores e mais agressivos pedófilos atuam na vida real. Com efeito, enquanto setores de diversa índole tentam limpar a Internet de imagens ou textos de pedofilia, nada se faz contra a prostituição e escravidão infantil, permanentemente denunciada por ONGs de DH.

Se é possível impor certas restrições as transmissões por Internet, por que não é possível inibir ou, pelo menos, amenizar mensagens de ódio?

Possíveis Mensagens de Ódio

Não é possível saber o número total de sites gerados no Brasil que acolhem mensagens. Os seguintes são os mais conhecidos e os que possuem mais seguidores. A proporção dessas mensagens é diversa. Alguns, esporadicamente, publicam notícias falsas sobre atos de terrorismo ou crimes praticados por pessoas públicas. Ou atiçam rancor contra movimentos sociais, grupos intelectuais, etc. Outros, já possuem uma direção sistemática nessa direção. Podem parecer de baixo impacto se comparados com os dos militares argentinos, por exemplo, ou com grupos de ódio dos Estados Unidos (p. e., o novo Ku Klux Klan), mas seu conteúdo deveria ser monitorado.

Alguns deles não têm terminação que identifique o país, portanto, devem ser abastecidos por provedores dos Estados Unidos. Entretanto, o que solicitamos ao Ministério Público é uma primeira revisão do material desses sites e uma análise de sua índole.

Quero deixar várias coisas claras:

1. Existem alguns veículos da grande mídia (muito poucos, talvez dois ou três), que usam um estilo de ódio semelhante ao destes sites. Não acredito que eles tenham menos responsabilidade, mas esse é um fato mais complexo, e sou consciente das limitações do poder público, inclusive quando atua com as melhores intenções.

2. Não estou criticando a propaganda neofascista, desde que ela não se expresse em forma de ódio. Pode reconhecer-se o direito de uma pessoa a admirar o fascismo, mas não a fazer propaganda da eliminação física, do racismo, da “faxina” de pessoas de outras ideologias.

3. Pessoalmente, não estou afetado por mensagens de ódio. As mensagens desse estilo que recebo, deleto. Se aparecem em algum site, simplesmente ignoro. Nunca entro em polêmicas com inimigos explícitos dos DH. Entretanto, é justo pensar que outras pessoas zelam por sua segurança física e sua reputação.

  • Este site abaixo,sempre me causou indignação, sempre desconfiei dos motivos pelos quais foi criado, não sei quem está por trás disto mas é tão grosseira, desqualificante e agressiva a forma de se referir à Dilma, Lula e ao PT, que parece ódio pessoal mais que um militante político.
    Escreví várias vezes sobre o PSDB e nenhum comentário foi divulgado, só divulgaram os que escreví sobre o PMDB. E no sábado para confirmar me deparo com esta noticia do lançamento do Serra, clara propaganda ELEITORAL antecipada.
    Leiam os links que envio abaixo e tem muito mais no referido site.

    http://www.purapolitica.com.br/sem_censura/13/06/2010/13,dilma-a-farsa-uma-candidata-fabricada-por-lula-e-que-o-pt-quer-colocar-goela-abaixo-no-povo.html.

    http://www.purapolitica.com.br/noticia/18/06/2010/60652,vamos-juntos-o-brasil-pode-muito-mais-jose-serra-o-candidato-de-numero-45-psdb-ja-foi-eleito-e-test.html

  • De fato, a internet ainda não possui mecanismos regulatórios que impeçam a veiculação de mensagens destrutivas, como não seja a comunicação aos provedores, em caso de hospedagem, ou a ação judicial, em caso de prejuizos evidentes como, no caso apontado, da alçada do poder público, por se tratar dos direitos da pessoa humana.

  • O Brasil ser amigo do Irã, não pode, o Estados Unidos diz que o Irã é um País de terroristas, mas, o Estados Unidos ser amigo de Israel, pode, ou será que a atitude de Israel contra os navios da ação comunitária não foi um ato terrorista? “É bom deixar claro -pelo que tenho lido em sites e blogs- que os comentários não se referem ao povo Israelense”, mas contra as atitudes de seus governantes.

  • A ELITE………… NÃO ACEITA QUE O NOSSO PAÍS SEJA AMIGO DOS PAÍSES QUE SÃO INDIFERENTES COMO “USA & REINO UNIDOS”. ACHAM BONITO VER OS “USA” PRATICAR A CARNIFICINA CONTRA OS OUTROS PAISES………..

  • Criticar e condenar ações e condutas é incitar ódio a quem as pratica?

    Tentar calar a crítica usando o ódio como argumento não é também praticar o ódio, usando para isso mecanismos legais?

    Por que certos grupos devem ser proibidos de criticar condutas e atitudes e outros (os grupos rivais destes) não devem sofrer proibição alguma?

    Grupos que se dizem alvo do ódio não podem ser, também eles, praticantes do ódio?

  • Primeiro, não acreditamos que no artigo se fale de “proibir”. Falamos de aplicar a lei, quando seja cabível, embora sei que no Brasil não existe, como em outros países (Suécia, Holanda, GB, etc.) lei contra mensagens de ódio.
    Segundo: é evidente que não estamos considerando “ódio” qualquer crítica. “Ódio” significa, especificamente (e acredito que isto seja bastante conhecido) promover ações NÃO DEFENSIVAS contra grupos designados com base em diferenciações sociais, como raça, etnia, cor, nacionalidade, profissão, nível cultural ou econômico, etc. Ninguém disse, pelo menos até onde eu sei, que TUDO deva ser criticado.
    Ignoro se o autor deste comentário pertence a algum grupo discriminado (até porque não sei nem o nome), mas se fosse, por exemplo, negro, judeu, árabe, alternativo sexual, etc., não gostaria (imagino) ser vítima de mensagens que ferem sua dignidade e promover seu linchamento.
    Tentar inibir esse ódio de maneira defensiva, certamente não é ódio. Acredito que o leitor confunda “crítica” ou “educação” com vingança o revanchismo. São coisas diferentes.
    A Internet oferece numerosos dicionários On Line com boa informação.
    Atte
    Carlos Lungarzo

  • em nome dos trabalhadores e comerciantes etc. faço um apelo é preciso fazer algo para minimizar a bandidagem no df na samambaia norte e sul na 123 perto do colegio em cada esquina um montinho de maconheiro fumando e tramando aonde iram roubar tem deles que ja estava preso foi solto e continua roubando casa comercio e´preciso fazer algo esta difico de trabalhar agente apre um comercio e eles roubam

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