Mensagem do Papa Francisco na Missa celebrada pelos anciãos, hoje

papaSantidade! Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Agradeço-lhes por terem vindo tão numerosos. Agradeço-lhes pelo acolhimento. Hoje é sua festa, a nossa festa. Agradeço a Dom Paglia e todos os que a prepararam. Também, agradeço, especialmente, pela presença do Papa Emérito Bento XVI. Tantas vezes, eu disse que muito me alegraria que ele habitasse aqui no Vaticano, porque seria como ter um avô sábio em casa. Obrigado!

Escutei os testemunhos de alguns de vocês, que apresentam experiências comuns a tantos anciãos. Mas, uma era diferente, a dos irmãos que vieram de Karacoch, que escapram de violenta perseguição. Então, todos juntos lhes dizemos: nossos agradecimentos especiais! É muito bonito que hoje vocês tenham vindo aqui. É um dom para nossa Igreja. E nós lhes oferecemos nossa proximidade, a nossa oração e ajuda concreta.

A violência contra os anciãos é desumana, como aquela praticada contra as crianças. Mas, Deus não os abandona. Com a ajuda dEle, vocês são e vão continuar sendo memória para o seu povo. E também para nós, da grande família da Igreja. Obrigado!

Esses irmãos nos testemunham que, mesmo nas mais difíceis provações, os anciãos que têm fé, são como árvores que continuam a dar fruto. E isto também nas situações mais comuns, que, no entanto, nos ser podem portadoras de tentações e de outras formas de discriminação. A este respeito escutamos alguns em seus testemunhos.

A velhice é, de modo particular, um tempo de graça, em que o Senhor nos renova o Seu chamado, nos chama a guardar e a transmitir a fé, nos chama a orar, especialmente a interceder, nos chama a estar perto de quem tem necessidade. Os anciãos têm uma capacidade para compreender as situações mais difíceis. Uma grande capacidade! E quando oram, nessas situações, sua oração é forte, é poderosa.

Aos avós que tiveram a bênção de verem os filhos dos seus filhos, é confiada a grande missão de transmitirem a experiência da vida de uma família, de uma comunidade, de um povo; de partilhar, com simplicidade, uma sabedoria, a mesma fé, a herança mais preciosa. Felizes, aquelas famílias que têm por perto seus avós, O avô é pai duas vezes, e a avó é mãe duas vezes.

Naqueles países em que a perseguição religiosa foi mais cruel – penso, por exemplo, na Albânia, onde estive domingo passado – sua contribuição foi enorme: levar a criança escondida a se batizar, transmitir-lhe a fé… É valioso. Foram bravos esses avós. Bravos na perseguição, e salvaram a fé naquele país.

Mas, nem sempre os anciãos, o avô, a avó têm uma família que possa acolhê-los. Então, sejam bem-vindas as casas de acolhimento para os anciãos, mas casas de acolhimento, e não priões. Não por interesses escusos, mas deve haver para os anciãos institutos, onde não vivam esquecidos, descuidados, Eu me sinto próximo de muitos anciãos que vivem nesses institutos, e penso, com gratidão, em quantos os vão visitar e deles cuidar. As casas para os anciãos deveria ser pulmões da humanidade, num país, num bairro ou numa paróquia. Deveriam ser santuários de humanidade, onde o ancião debilitado seja cuidado e tratado como um irmão ou uma irmã maior.

Faz-nos muito bem ir ao encontro de um ancião. Reparem o que sucede aos seus jovens. Às vezes, se acham tristes, vão visitar um ancão, e se tornam alegres.

Mas, também existe a realidade do abandono do ancião. Quantas vezes, descarta-se o ancião com requintes de abandono que constituem uma verdadeira eutanásia clandestina. É o efeito dauela cultura do descarte que tanto mal faz ao nosso mundo. Descartam-se as crianças, descartam-se os jovens por não terem trabalho, e descartam-se os anciãos, com a pretensão de manter um sistema econômico equilibrado, no centro do qual não está a pessoa humana, mas está o deus Dinheiro. Todos somos chamados a combater essa cultura do descarte.

Nós, cristãos, junto com todos os homens de boa vontade, somos chamados a construir uma sociedade diferente: mais acolhedora, mais humana, mais inclusiva, que não tenha necessidade de descartar quem esteja fragilizado no corpo ou na mente, mas, antes, uma sociedade que mede seu próprio caminhar justamente pelo caminhar dessas pessoas.

Como cristãos e como cidadãos, somos chamados a imaginar, com fantasia e com sabedoria, os caminhos para enfrentar esse desafio. Um povo que não cuida dos avós, e e não os trata bem, é um povo que não tem futuro. Por que não tem futuro? Porque perde a memória e se afasta de suas raízes. Mas, cuidado! Vocês têm a responsabilidade de manter vivas essas raízes em vocês mesmos, por meio da oração, da leitura do Evangelho, das obras de misericórdia.

E assim devemos viver, para que também a velhice não deixe de dar fruto. E umas das coisas mais belas da vida em família, de nossa vida humana em família, é acariciar uma criança e deixar-se acariciar pelo avô, pela avó. Obrigado.

http://www.youtube.com/watch?v=M5EIFcNG9jU

Trad.: AJFC (desde a altura do minuto 1:37;20 a 1;47;54)

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