Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 03.11.2019

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje nos coloca no seguimento de Jesus, que em Seu caminho em direção a Jerusalém, faz uma parada em Jericó. Aí havia uma grande multidão para acolhê-lo. Entre os presentes, estava um homem chamado Zaqueu, chefe dos publicanos, isto é: era daqueles judeus que cobravam impostos para o Império Romano. Ele era rico, devido, não a um ganho honesto, mas porque pedia propina, e isto só aumentava o desprezo contra ele. Zaqueu buscava saber quem era Jesus. Não desejava encontrá-Lo, mas estava curioso: queria ver aquela personagem de quem tinha ouvido dizer coisas extraordinárias. Era curioso. E, sendo de baixa estatura, para conseguir vê-lo, sobe em uma árvore. Quando Jesus chega perto dali, levanta o olhar e o vê.

E isto é importante: o primeiro olhar não é o de Zaqueu, mas o de Jesus, que entre tantos rostos que o rodeavam – a multidão -, busca justamente aquele. O olhar misericordioso do Senhor nos alcança antes que nós mesmos nos darmos conta de ter necessidade disto para nos salvar. E com este olhar do divino Mestre, inicia-se o milagre da conversão do pecador. De fato, Jesus o chama, e o chama pelo nome: “Zaqueu, desce rápido, porque hoje devo ir à tua casa.” Não o repreende, não lhe faz um sermão. Diz-lhe que deve ir até a sua casa: “deve”, porque é a vontade do Pai. Apesar do murmúrio do povo, Jesus escolhe ir até a casa daquele pecador.

Também nós ficaremos escandalizados por este comportamento de Jesus. Mas o desprezo e o fechamento em relação ao pecador só fazem isolá-lo e induzi-lo ao mal que atua contra si mesmo e contra a comunidade. Ao contrário, Deus condena o pecado, mas busca salvar o pecador. Vai em busca dele para atraí-lo ao caminho reto. A quem nunca se sentiu tocado pela misericórdia de Deus, torna-se difícil compreender a extraordinária grandeza dos gestos e das palavras com as quais Jesus se aproxima de Zaqueu.

O acolhimento e a atenção de Jesus em seus momentos de confronto leva aquele homem a uma nítida mudança de mentalidade: em um instante, dá-se conta de quanto é mesquinha uma vida totalmente aprisionada pelo dinheiro, à custa do roubo dos outros e de receber o desprezo deles. Ao ver o Senhor ali em sua casa, o faz ver tudo com olhos diferentes, inclusive com um pouco da ternura com que Jesus o olhou. E até muda seu modo de ver e de usar o dinheiro: o gesto de pilhar é substituído pelo de doar. Com efeito, resolve dar aos pobres a metade do que possui e restituir quatro vezes mais do que roubou dos outros. Jesus descobre com Jesus que é possível amar gratuitamente: antes era avaro, agora torna-se generoso; tinha o hábito de acumular, agora alegra-se em distribuir. Ao encontrar o Amor, descobrindo que é amado não obstante seus pecados, torna-se capaz de amar os outros, fazendo do dinheiro um sinal de solidariedade e de comunhão.

Que a Virgem Maria consiga para nós a graça de sentir em nós o olhar misericordioso de Jesus, para ir ao encontro, com misericórdia, daqueles que cometeram erros, para que também eles possam acolher Jesus, que veio a buscar e a salvar o que estava perdido.

Trad: AJFC

Digitação: EAFC

P.S: Convém lembrar que, enquanto no Brasil e outros países, a Igreja Católica Romana comemora neste domingo a festa dos Santos e Santas, na Itália e outros países se celebra a liturgia do domingo comum, pois o dia dos Santos e Santas é comemorado no dia primeiro.