Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 07.04.2019.

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Neste quinto Domingo da Quaresma, a Liturgia nos apresenta o episódio da mulher adúltera. Nele, contrapõem-se duas atitudes: a dos escribas e dos fariseus, de um lado, e a de Jesus, por outro lado. Os primeiros querem condenar a mulher, porque se sentem os tutores da Lei e de sua fiel aplicação. Jesus, ao contrário, quer salvá-la, porque Ele em pessoa é a Misericórdia de Deus que, perdoando, redime e, reconciliando, renova.

Vejamos, então, como se deu. Enquanto Jesus está a ensinar no templo, os escribas e os fariseus lhe trazem uma mulher surpreendida no adultério. Eles a põem no meio, e perguntam a Jesus se se deve apedrejá-la, assim como prescreve a Lei de Moisés. O Evangelista esclarece que eles colocaram a questão para pô-Lo à prova e para terem motivo de acusá-Lo. Pode se supor que o propósito deles fosse este – vejam a malvadeza desta gente: o “não” ao apedrejamento teria sido um motivo para acusar a Jesus de desobediência à Lei; o “sim”, ao contrário, para denunciá-lo à autoridade romana, que se tinha reservado as sentenças e admitia o linchamento popular. E Jesus deve responder.

Os interlocutores de Jesus estão fechados na estreiteza do legalismo e querem perguntar de novo ao Filho de Deus, em sua perspectiva de juízo e condenação. Mas Ele não veio ao mundo para julgar e condenar, mas sim para salvar e oferecer às pessoas uma vida nova. E como reage Jesus diante desta prova? Antes de tudo, permanece um pouco em silêncio, e se abaixa para escrever com o dedo no chão, como a recordar que o único Legislador e Juiz é Deus, que havia escrito a Lei na pedra. Depois diz: “Quem de vocês não tiver pecado, comece a atirar a primeira pedra”. Deste modo, Jesus faz apelo à consciência daqueles homens, eles que se sentiam os paladinos da justiça, mas Ele os chama à consciência de sua condição de homens pecadores, para a qual não podem arrogar-se o direito de vida e de morte sobre seus semelhantes. À essa altura, um após o outro, a começar dos mais velhos – aqueles mais conscientes de sua miséria – foram todos embora, renunciando ao apedrejamento da mulher. Esta cena também convida a cada um de nós a tomar consciência de que somos pecadores, e a deixar de nossas mãos as pedras da difamação e da condenação, da fofoca, que, por vezes, queremos espalhar contra os outros. Quando atiramos pedras nos outros, somos assim.

Ao final, permanecem apenas Jesus e a mulher, ali ao meio – «la misera e la misericórdia», diz Santo Agostinho. Jesus é o único sem culpa, o único que poderia jogar a pedra contra ela, mas não o faz, porque Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. E Jesus se despede da mulher com estas palavras estupendas: “Vá e não peque mais”. E assim Jesus abre diante dela um novo caminho, feito da misericórdia, um caminho que requer o seu esforço de não mais pecar. Trata-se de um convite que vale para cada um de nós. Jesus, quando nos perdoa, nos abre sempre um novo caminho para seguirmos adiante. Neste tempo de Quarésima, somos chamados a nos reconhecer como pecadores e a pedirmos perdão a Deus. E o perdão, por sua vez, enquanto nos reconcilia e nos dá a paz, nos faz recomeçar uma história renovada. Toda verdadeira conversão é destinada a um novo futuro, a uma vida nova, uma vida bela, uma vida do pecado, uma vida generosa. Não tenhamos medo de pedir perdão a Jesus porque Ele nos abre a porta a esta vida nova. Que a Virgem Maria nos ajude a testemunhar junto a todos o amor misericordioso de Deus que, em Jesus, nos perdoa e torna nova nossa existência, oferecendo-nos sempre novas possibilidades.

Trad: AJFC

Digitação: EAFC

Nós também Somos Igreja, grupo de estudo, reflexão e ação social cristã.

Seções: Opinião.

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