Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus,” dia 24.03.2019

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste terceiro Domingo da Quaresma nos fala da misericórdia de Deus e de nossa conversão. Jesus conta a parábola da figueira estéril. Certo homem plantou uma figueira em seu roçado, e com tanta confiança, na estação própria, vem buscar os frutos, mas não os encontra, pois aquela figueira é estéril. Tocado por aquela decepção, que já perdurava havia três anos, pensa então em arrancar aquela figueira, para ir plantar outra em seu lugar. Então chama um agricultor que está naquele roçado e lhe confessa sua insatisfação, mandando arrancar a figueira, de modo que não utilize o terreno inutilmente. Mas, o agricultor pede ao proprietário para ter paciência e lhe pede um prazo de um ano, durante o qual ele próprio cuidará daquela figueira mais atentamente, e de modo aplicado, com a finalidade de estimular a produtividade. Esta é a parábola. O que ela representa? O que representam os personagens desta parábola?

O proprietário representa Deus Pai e o agricultor é a imagem de Jesus, enquanto a figueira simboliza a humanidade indiferente e estéril. Jesus intercede junto ao Pai, em favor da humanidade. Ele sempre faz isto. E pede-Lhe para esperar, e que conceda mais tempo, para que nela possam germinar os frutos do amor e da justiça. A figueira que o proprietário da parábola quer arrancar representa uma existência estéril, incapaz de doar-se, incapaz de fazer o bem. Simboliza aquele que vive só para si mesmo, saciado e tranquilo, apoiado em suas próprias comodidades, incapaz de voltar o olhar e o coração em direção dos que estão ao seu lado, encontrando-se em condições de sofrimento, de pobreza, de necessidade. A esta atitude de egoismo e de esterilidade espiritual, contrapõe-se o grande amor do agricultor diante da comparação com a figueira: faz com que o proprietário espere, que tenha paciência, que saiba esperar, dedica-lhe seu tempo e seu trabalho. Promete ao proprietário que terá especial cuidado com aquela figueira infeliz.

E  esta semelhança em relação ao agricultor manifesta a misericórdia de Deus, que nos deixa um tempo para a conversão. Todos temos necessidade de nos converter, de dar um passo adiante, e a paciência de Deus, Sua misericórdia, nos acompanha. Não obstante, a esterilidade que por vezes marca nossa existência, Deus nos oferece Sua paciência e a oportunidade para mudarmos e para progredirmos no caminho do bem.  Mas o prazo implorado e concedido, na esperança de que  a figueira finalmente dê frutos, também indica a urgência da conversão. O agricultor diz ao proprietário:” Deixe-a ainda por este ano”. A possibilidade de conversão não é ilimitada. Por isto, é necessário acolhê-la, prontamente, do contrário, ela poderia ser perdida para sempre. Nós podemos pensar nesta Quaresma: o que eu devo fazer para ficar mais próximo do Senhor, para me converter , para “arrancar” as coisas que não estão bem? “Não, não, não, eu vou esperar chegar a outra Quaresma”. Mas , será que na próxima Quaresma eu estarei vivo? Pensemos hoje, cada um de nós: o que devo fazer diante desta misericórdia de Deus que me espera e sempre perdoa? O que devo fazer? Nós podemos fazer muita entrega, confiantes na misericórdia de Deus, mas sem dela abusar.  Não devemos justificar nossa preguiça espiritual, mas aumentar o nosso esforço para correspondermos prontamente a esta misericórdia , com sinceridade de coração.

Neste tempo de Quaresma, o Senhor nos convida À conversão. Cada um de nós deve sentir-se interpelado por este chamamento, corrigindo alguma coisa em nossa vida, em nosso modo de pensar, de agir e de viver as relações com o próximo. Ao mesmo tempo, devemos imitar a paciência de Deus que tem confiança na capacidade de todos,  de nos reerguermos  e de retomar o caminho. Deus é Pai, e não apaga a frágil chama, mas acompanha e cura quem é frágil, para que se fortaleça e dê sua contribuição  de amor à comunidade.

Que a Virgem Maria nos ajude a que vivamos estes dias de preparação à Páscoa como um tempo de renovação espiritual e de confiante abertura à Graça de Deus e à Sua Misericórdia.

Trad.: AJFC

Digitação: Águeda Ferreira Calado

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