Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 17.03.2019

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Neste segundo Domingo da Quaresma, a Liturgia nos faz contemplar o evento da Transfiguração, no qual jesus concede aos discípulos Pedro, Tiago e João de provarem, por antecipação, a glória da Ressurreição: um traço do Céu sobre a Terra. O Evangelista Lucas nos mostra Jesus transfigurado sobre o Monte, que é o lugar da Luz, símbolo fascinante da singular experiência reservada aos três discípulos. Estes sobem o Monte com o Mestre, e O vem mergulhar em Oração, e, a acerta altura, veem o rosto dEle mudar de aspecto. Acostumados a vê-Lo cotidianamente na simples aparência de Sua humanidade frente àquele novo esplendor, que envolve também toda a sua pessoa, ficam espantados. E ao lado de Jesus aparecem Moisés e Elias, falando com Ele acerca do seu próximo êxodo, isto é, da sua Páscoa de Morte e Ressurreição. É uma antecipação da Páscoa. Então, Pedro exclama: “Mestre, como é bom estarmos aqui!” Ele gostaria de que aquele momento de graça nunca acabasse.

A Transfiguração se passa num momento bem preciso da Missão de Cristo, isto é, após Ele ter confidenciado aos discípulos que ele deveria sofrer muito, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Jesus sabe que eles não aceitam esta realidade – a realidade da cruz, a realidade da morte de Jesus -, e, por isso, quer prepará-los para suportarem o escândalo da Paixão e da Morte de cruz, para que saibam que este é o caminho pelo qual o Pai celeste fará com que seu filho alcance a glória, ressuscitando-O do mortos. E este será também o caminho dos discípulos: nenhum chegará à vida eterna, a não ser seguindo a Jesus, carregando a própria cruz na vida terrena. Cada um de nós tem a sua própria cruz. O Senhor nos faz ver o fim deste percurso, que é a Ressurreição, a beleza de carregar a própria cruz.

Portanto, a Transfiguração de Cristo nos mostra a perspectiva cristã do sofrimento. Não se trata de sadomasoquismo, o sofrimento: é uma passagem necessária mas transitória. O ponto de chegada ao qual somos chamados é luminoso como o rosto de Cristo transfigurado: nEle está a Salvação, a felicidade, a luz, o amor de Deus sem limites. Mostrando assim a Sua glória, Jesus nos assegura que a cruz, as provações, as dificuldades, nas quais nos debatemos têm sua solução e sua superação na Páscoa. Por isto, nesta Quaresma, vamos também nós subir o monte com Jesus! Mas, de que maneira? Com a Oração. Subamos o monte com a Oração, a Oração silenciosa, a Oração do coração, a Oração sempre buscando o Senhor. Permaneçamos alguns momentos em recolhimento, um pouquinho a cada dia, fizemos o olhar interior sobre Seu rosto e deixemos que Sua Luz nos envolva e se irradie em nossa vida.

Com efeito, o Evangelista Lucas insiste no fato de que Jesus se transfigurou, enquanto orava. Havia mergulhado num colóquio íntimo com o Pai, no qual ressoavam também a Lei e os Profetas – Moisés e Elias – e, enquanto aderia, com todo o Seu Ser à vontade de salvação do Pai, inclusive a Cruz, a glória de Deus O invadiu transparecendo também para fora. É assim, irmãos e irmãs: a Oração em Cristo e no Espírito Santo transforma a pessoa desde dentro e pode iluminar os outros e o mundo em volta. Quantas vezes encontramos pessoas que iluminam, que fazem emanar luz dos olhos, que têm aquele olhar luminoso! Oram, e a Oração faz isto: nos faz luminosos pela luz do Espírito Santo.

Sigamos com alegria nosso itinerário quaresmal. Demos espaço à Oração e à Palavra de Deus, que a liturgia nos propõe abundantemente nestes dias.

Que a Virgem Maria nos ensine a permanecermos com Jesus, mesmo quando não O entendamos e não O compreendamos. Porque só permanecendo com Ele, veremos Sua glória.

Trad.: AJFC

Digitação: EAFC

Nós também Somos Igreja, grupo de estudo, reflexão e ação social cristã.

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