Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 24.02.2019

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo diz respeito a um ponto central e característico da vida cristã: o amor aos inimigos. As palavras de Jesus são claras: “A vocês que me escutam, Eu lhes digo: amem seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os maldizem, rezem por aqueles que os tratam mal”. E isto não é optativo, é uma ordem. Não é para todos, mas para os discípulos, que Jesus chama “vocês que me escutam”. Ele sabe muito bem que amar os inimigos vai além de nossas possibilidades, mas para isto é feito o ser humano: não para nos deixarmos ficar como somos, mas para nos transformarmos em homens e mulheres capazes de um amor maior, o do nosso Pai, Dele e nosso. Este é o amor que Jesus dá a quem O escuta. E assim se torna possível! Com Ele, graças ao Seu amor, ao Seu Espírito, nós podemos amar inclusive quem não nos ama, até quem nos faz o mal.

Deste modo, Jesus deseja que o amor de Deus triunfe sobre o ódio e o rancor em cada coração. A lógica do amor, que culmina na Cruz de Cristo, é o distintivo do cristão e nos leva a irmos ao encontro de todos, com coração de irmãos. Mas como é possível superar o instinto humano e a lei mundana da retaliação? A resposta quem dá é o próprio Jesus na mesma página do Evangelho: “Sejam misericordiosos, como o Pai de vocês é misericordioso”. Quem escuta Jesus, quem se esforça por segui-Lo ainda que isto custe, torna-se filho de Deus e começa a parecer verdadeiramente ao Pai que está nos céus. Tornamo-nos capazes de coisas que nunca tínhamos pensado poder dizer ou fazer, e das quais antes ficaríamos envergonhados, mas, que, ao contrário disto, nos dão alegria e paz. Já não temos necessidade de sermos violentos, com palavras ou gestos. Descobrimo-nos capazes de ternura e de bondade; e percebemos que nada disto vem de nós mas dEle!, e portanto disto não nos vangloriamos, mas somos agradecidos.

Nada há de maior e mais fecundo do que o amor: ele confere a cada pessoa toda a sua dignidade, enquanto, ao contrário, o ódio e a vingança a reduzem, deturpando a beleza da criatura feita à imagem de Deus.

Esta ordem para responder ao insulto e ao erro com amor, gerou no mundo uma nova cultura: a cultura da misericórdia. Devemos aprendê-la bem!, e praticar bem esta cultura da misericórdia, que dá vida a uma verdadeira revolução. É a revolução do amor, e cujos protagonistas são os mártires de todos os tempos. E Jesus nos garante que o nosso comportamento, impregnado de amor para com todos os que nos fazem mal, não será em vão. Ele diz: “Perdoem e serão perdoados. Deem e lhes será dado, porque com a medida com que vocês medirem, serão medidos. ” Isto é bonito! Será uma coisa bela que Deus nos dará se formos generosos, misericordiosos. Devemos perdoar porque Deus nos perdoou e sempre nos perdoa. Se não perdoarmos completamente, não podemos pretender ser de todo perdoados.  Ao contrário, se os nossos corações se abrirem à misericórdia, se selarmos o perdão com um abraço fraterno e se estreitarmos os vínculos de comunhão, proclamamos diante do mundo que é possível vencer o mal com o bem. Às vezes, para nós é mais fácil reconhecer os erros que os outros nos fazem e o mal que nos fizeram, e não as coisas boas; ao ponto de haver quem tenha este hábito e que se torna uma doença. São colecionadoras de injustiças: só se lembram das coisas más que lhes fizeram. E este não é o caminho. Devemos fazer o contrário, diz Jesus. Vamos relembrar as coisas boas, e quando alguém vier com fofoca, falando mal do outro, dizer: “Ah sim, pode ser… mas esta pessoa também tem coisa boa…” Vamos inverter o discurso. Esta é a revolução da misericórdia.

Que a Virgem Maria nos ajude a nos deixarmos tocar o coração por esta palavra santa de Jesus, que queima como fogo, que nos transforma e nos torna capazes de fazer o bem, sem nada em troca, fazer o bem sem nada em troca, testemunhando, por toda parte, a vitória do amor.

Trad.: AJFC

Digitação: HCB/EAFC

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