Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 13.01.2019

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, ao final do tempo litúrgico do Natal, estamos celebrando a festa do Batismo do Senhor. A liturgia nos chama a conhecermos mais plenamente a Jesus, de Quem, ainda há pouco, celebramos o nascimento; e por isso o Evangelho ilustra dois elementos importantes: a relação de Jesus com o povo e a relação de Jesus com o Pai. No relato do Batismo, administrado por João Batista a Jesus, nas águas do rio Jordão, vemos principalmente o papel desenvolvido pelo povo. Jesus está no meio do povo.

E isto não é apenas um transfundo, mas é um componente essencial do evento. Antes de imergir-se na água, Jesus imerge-se na multidão, a ela se une assumindo plenamente a condição humana, tudo compartilhando, à exceção do pecado. Na Sua santidade divina, cheia de graça e de misericórdia, o Filho de Deus se fez carne, justamente para tomar sobre Si e tirar o pecado do mundo: assumir nossas misérias, nossa condição humana. Por isto, também a de hoje é uma epifania, porque indo batizar-se por João, em meio à gente penitente do seu povo, Jesus manifesta a lógica e o sentido de Sua missão. Unindo-se ao povo que pede a João o Batismo de conversão, Jesus também compartilha com eles o desejo profundo de renovação interior.

E o Espírito Santo que desce sobre ele em forma de pomba é o sinal de que com Jesus se inicia um mundo novo, uma nova criação da qual fazem parte todos os que acolhem a Cristo em sua vida. Também, a cada um de nós, que renascemos com no Batismo, são dirigidas as palavras do Pai: “Tu és meu filho amado, em ti pus meu bem-querer”. Este amor do Pai, que todos recebemos no dia do nosso Batismo, é uma centelha que foi acesa em nosso coração, e requer que seja alimentada mediante a oração e a caridade.

O segundo elemento destacado pelo evangelista Lucas é que, depois da imersão no povo e nas águas do Jordão, Jesus mergulha na oração, isto é, na comunhão com o Pai. O Batismo é o início da vida pública de Jesus, da Sua missão no mundo como enviado do Pai para manifestar Sua vontade e o Seu amor pelos homens. Esta missão é cumprida em constante e perfeita união com o Pai e o Espírito Santo. Também, a missão da Igreja e de cada um de nós, para ser fiel e frutuosa, é chamada a estar contida na de Jesus. Trata-se de gerar continuamente, por meio da Oração a evangelização e o apostolado, para dar um claro testemunho cristão, não de acordo com os projetos humanos, mas de acordo com o plano e o estilo de Deus.

Caros irmãos e irmãs, a festa do Batismo do Senhor é uma ocasião propícia para renovar com gratidão e com convicção as promessas do nosso Batismo, comprometendo-nos a viver dia após dia em coerência com isto. Também, é muito importante, como lhes tenho dito tantas vezes, saber o dia do nosso Batismo. Eu poderia perguntar: “Quem de vocês sabe a data do seu Batismo?” Não todos, certamente. Se algum de vocês não sabe, de volta à sua casa, pergunte a seus pais, aos avós, aos tios, aos padrinhos, aos amigos da família… Pergunte: “em que dia fui batizado, fui batizada?”. E depois disso nunca mais esqueçam: que seja uma data no coração para ser celebrada todos os anos. Jesus, que nos salvou, não em razão de nossos méritos, mas para realizar a bondade imensa do Pai, nos torne misericordiosos para com todos.

Que a Vigem Maria, Mãe de Misericórdia, seja a nossa guia e o nosso modelo.

Trad.: AJFC

Digitação: EAFC