Mensagem do papa Francisco

Ângelus, dia 04-11-2018

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

 No centro do Evangelho deste domingo, está o mandamento do Amor: amor a Deus e o amor ao próximo. Um escriba pergunta a Jesus: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Ele responde, citando aquela profissão de fé com que todo israelita abre e fecha o seu dia e que inicia com estas palavras:” Escuta, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor!” Deste modo, Israel guarda a realidade fundamental de todo o seu credo: existe um só Senhor e é o nosso Senhor, no sentido em que nos foi legado como um pacto indissolúvel, nos amou, nos ama e nos amará para sempre. É desta fonte, deste Amor de Deus, que deriva para nós o duplo mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma, com toda a tua mente, com toda a tua força… Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Seguindo estas duas palavras dirigidas por Deus ao Seu povo, e podo-as juntas, Jesus ensinou, de uma vez para sempre, que o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis, antes de mais nada, um sustenta o outro. Ainda que postos em sequência, eles constituem duas faces de uma única moeda: vividos conjuntamente, são a verdadeira força do crente!

Amar a Deus é viver dEle e para Ele, por aquilo que Ele é e por aquilo que Ele faz. E o nosso Deus é doação sem reservas, é perdão sem limites, é relação que promove e faz crescer. Por isto, amar a Deus quer dizer investir, cada dia, nossas próprias energias para sermos Seus colaboradores, no serviço sem reservas ao nosso próximo, no buscar perdoar sem limites, e no cultivo de relações de comunhão e de fraternidade.

O evangelista Marcos não se preocupa em especificar quem é o próximo, porque o próximo é a pessoa que eu encontro no caminho, em meu dia-a-dia. Não se trata de pré-selecionar meu próximo. Isto não é cristão: pensar que meu próximo seja aquele que eu pré-selecione. Não, isto não é cristão, é coisa de pagão. Mas se trata de ter olhos para vê-lo e coração para querer o seu bem. Se nos exercitarmos a ver com o olhar de Jesus, nos colocaremos sempre à escuta e ao lado de quem tem necessidade. As necessidades do próximo requerem por certo respostas eficazes, mas antes, ainda requerem partilha. Com uma imagem, podemos dizer que o faminto necessita não só de um prato de sopa, mas também de um sorriso, de ser escutado e também, quem sabe, de uma oração feita em conjunto.

O Evangelho de hoje nos convida, a todos, a estarmos voltados não apenas para as urgências dos irmãos mais pobres, mas sobretudo a estarmos atentos às suas  necessidades de proximidade fraterna, de sentido da vida e de ternura. Isto interpela nossas comunidades cristã. Trata-se de evitar o risco de sermos comunidade que vivem com muitas iniciativas, mas com poucas relações; o risco de comunidades “frentes de serviço”, mas de pouca companhia, no sentido pleno e cristão deste termo.

Deus, que é Amor, nos criou por amor e para que possamos amar os outros, ficando unidos a Ele. Seria ilusório pretendermos amar o próximo, sem amar a Deus; e seria também ilusório pretendermos amar a Deus, sem amarmos o próximo. As duas dimensões do amor, a Deus e ao próximo, em sua unidade, caracterizam o discípulo de Cristo.

Que a Virgem Maria nos ajude a acolher e a testemunhar, na vida quotidiana este luminoso ensinamento.

https://www.youtube.com/watch?v=m5oXoI_nexo

Trad.: AJFC

Digitação: Águeda Ferreira Calado

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