Mensagem do Papa Francisco

Dia 09.09.2018

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste Domingo relata o episódio da cura milagrosa de um surdo-mudo, operada por Jesus. Trazem-no até Ele, pedindo que imponha as mãos sobre o surdo-mudo. Em vez disto, Jesus realiza nele diversos gestos. Ele o conduz à parte, longe da multidão. Nesta ocasião como em diversas outras, Jesus age sempre com discrição. Não quer fazer espetáculo diante do povo, não está em busca de popularidade ou de sucesso, mas deseja apenas fazer o bem às pessoas. Com tal atitude, Ele nos ensina que o bem se faz, sem estardalhaço, sem ostentação, sem fazer tocar a trombeta, bem deve ser feito em silêncio

Tendo ficado à parte com o surdo-mudo, Jesus pôs o dedo nos ouvidos do surdo-mudo, e com a saliva lhe tocou a língua. Este gesto remete à Encarnação. O Filho de Deus é um homem inserido na realidade humana. Fez homem, portanto compreende a condição penosa de um outro homem, e intervém com um gesto no qual se acha implicada a palavra humana. Ao mesmo tempo, Jesus quer fazer compreender que o milagre ocorre, graças à Sua união com o Pai: por isso, elevou os olos ao Céu, depois emitiu um suspiro, e pronunciou a palavra decisiva:”Éffatá”, que significa: “Abre-te!” E, de repente, o homem fica curado: abriram-se-lhe os ouvidos, soltou-se-lhe a língua. Para ele a cura significou uma abertura em relação aos outros e em relação ao mundo.

Este relato do Evangelho sublinha a exigência de uma dupla cura: antes de tudo, a cura da doença e do sofrimento físico, para restituir a saúde do corpo; ainda que esta finalidade não seja completamente alcançável no horizonte terreno, não obstante os muitos esforços da ciência e da medicina. Mas há uma segunda cura, talvez mais difícil, é a cura do medo. A cura do medo que nos empurra para a marginalização do doente, para a marginalização dos sofredores, dos incapacitados. E há muitas maneiras de se marginalizar, inclusive com uma pseudo-piedade ou com a fuga do problema; ficamos surdos e mudos frente às dores das pessoas marcadas pela doença, pela angústia e pelas dificuldades. Muitíssimas vezes, o doente e o sofredor tornam-se um problema, enquanto deveriam ser uma oportunidade para manifestarmos solicitude e solidariedade de uma sociedade diante dos mais frágeis.

Jesus nos revelou o segredo de um milagre que também nós podemos reeditar, tornando-nos protagonistas do “Effatà”, daquela palavra “Abre-te” com a qual Ele deu de novo a palavra e a audição ao surdo-mudo.  Trata-se de abrirmos às necessidades dos nossos irmãos sofredores e necessitados de ajuda, fugindo ao egoísmo e ao fechamento do coração. É justamente o coração, isto é, o núcleo profundo da pessoa, que Jesus veio abrir, libertar, para nos tornar capazes de viver plenamente a relação com Deus e com os outros.  Ele se fez homem para que o homem, que pelo pecado se tornou interiormente surdo e mudo, possa escutar a voz de Deus, a voz do Amor que fala ao seu coração, e assim aprender a falar, por sua vez, a linguagem do amor, traduzindo-o em gestos de generosidade e de doação de si.

Que Maria, aquela que se abriu completamente ao amor do Senhor, nos conceda experimentar, a cada dia, na fé, o milagre do “Effatà”, para vivermos em comunhão com Deus e com os irmãos.

Trad:AJFC

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