Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 11.08.2018

Caros irmãos e irmãs, e caros jovens italianos, bom dia!

Na segunda leitura de hoje, São Paulo nos dirige um convite desafiador:  “Não queiram desapontar o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram marcados para o dia da Redenção.”  Mas, eu lhes pergunto: como é que se desaponta o Espírito Santo? Todos nós O recebemos no Batismo e na Crisma. Portanto, para não contrariarmos o Espírito Santo, é preciso  que vivamos de maneira coerente com as promessas do Batismo, renovadas por ocasião da Crisma. De modo coerente, não com hipocrisia. Não esqueçam isto! O cristão não pode ser hipócrita, deve viver de forma coerente.

As promessas do Batismo têm dois aspectos: renunciar ao mal e aderir ao bem. Renunciar ao mal significa dizer não às tentações, ao pecada, ao Satanás. Mais concretamente, significa dizer não a uma cultura de morte, que se manifesta na fuga do real para uma falsa felicidade que se expressa por meio da mentira, na fraude, na injustiça, no desprezo do outro. A tudo isto, importa dizer NÃO. A vida nova que nos foi dada por ocasião do Batismo, e que tem o Espírito como fonte, repele uma conduta dominado pelo sentimento de divisão e de discórdia. Por isto, o Apóstolo Paulo exorta a tirar do próprio coração “cada amargor, desdém, raiva, clamor e maledicências e todo tipo de maldade”. Assim diz Paulo. Estes seis elementos ou vícios, que perturbam a alegria do Espírito Santo, envenenam o coração e conduzem a imprecações contra Deus e contra o próximo.

Mas não basta não fazer o mal, para ser um bom cristão; é necessário aderir ao bem e fazer o bem. Eis que, então, continua São Paulo: “Sejam benevolentes uns para com os outros, misericordiosos, perdoando-se uns aos outros como Deus nos perdoou em Cristo”. Muitas vezes, vocês escutam alguns dizerem: “eu não faço mal a ninguém.” Eles acreditam serem santos. Está bem, mas será que eles fazem o bem? Quantas pessoas não fazem o mal, mas também não fazem o bem, e sua vida transcorre na indiferença, na apatia, na trepidez. Tal atitude é contra o Evangelho, é também contrária à índole de vocês, jovens, que, por natureza são dinâmicos, apaixonados e corajosos. Lembre-se disto – caso se lembrarem, podemos repetir isto juntos: “É bom não fazer o mal, mas é mau não fazer o bem”. Isto era dito por Santo Alberto Furtado.

Hoje, eu os exorto a serem protagonistas do bem! Protagonistas no bem. Não se conforme com não fazer o mal. Cada um é culpado pelo bem que podia fazer e não o fez. Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, é preciso orar pelos inimigos; não basta não se causa de divisão, é preciso levar a paz aonde não existe; não basta não falar mal dos outros, é preciso interromper alguém quando ouvimos falar mal de alguém: parar com o fofoca. Isto é fazer o bem. Se não nos opomos ao mal, nós os alimentamos de modo silencioso. É necessário intervir lá onde o mal se difunde, porque o mal se difunde, onde faltam cristãos corajosos que se opõem fazendo o bem, “caminhando na caridade”, segundo a advertência de São Paulo.

Caros jovens, neste dia, vocês caminharam muito! Por isto, porque vocês estão bem treinados, eu posso dizer-lhes: caminhem na caridade, caminhem no amor! E caminhando juntos em direção ao próximo Sínodo dos Bispos.Que a Virgem Maria nos proteja com sua materna intercessão, para que cada um de nós, hoje, e a cada dia, com fatos, possa dizer “NÃO” ao mal e dizer “SIM” ao bem.

(https://www.youtube.com/watch?v=D0tOrokg46k

Do minuto 9:15 ao minuto 15:50)

Trad.: AJFC

Digitação.: Eliana Calada, Gabriel Luar

 

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