Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 29/08/2018

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Vocês são corajosos, com este Sol, nesta Praza! Meus cumprimentos!

O Evangelho de hoje nos apresenta o relato da multiplicação dos pães e dos peixes. Ao avistar a numerosa multidão que O havia seguido, nas proximidades do Lago de Tiberíades, Jesus se dirige ao apóstolo Filipe e pergunta: “Onde poderemos comprar pão para dar-lhe de comer?” De fato, o pouco dinheiro que Jesus e os apóstolos tinham, não era bastante para matar a fome daquela multidão. Eis que André, outro dos Doze, leva até Jesus um rapaz, que põe à disposição tudo o que tem: cinco pães e dois peixes. Está bem, diz André, mas o que isto representa, diante daquela multidão? Que rapaz corajoso! Ele também estava vendo aquela multidão, mas diz, e via os cinco pães… e diz:

“Eu tenho isto aqui: se serve, ponho à disposição.” Este rapaz nos faz pensar… Que coragem! Os jovens são assim: têm coragem. Nós devemos ajuda-los levar adiante esta coragem. E assim, Jesus manda que os discípulos façam o povo sentar-se, e, a seguir, toma aqueles pães e aqueles peixes, dá graças ao Pai e os distribui.  E todos podem ter alimento à saciedade. Todos comeram o quanto quiseram.

Com esta página do Evangelho, a Liturgia nos leva a não retirar o olhar daquele Jesus que, no domingo passado, no Evangelho de Marcos, ao ver “uma grande multidão, teve compaixão deles”. Também aquele rapaz dos cinco pães compreendeu esta compaixão, e e disse: “Pobre gente! Eu tenho isto…” A compaixão o levou a oferecer aquilo que tinha. Hoje, com efeito, João nos mostra de novo Jesus atento às necessidades básicas das pessoas. O episódio parte de um fato concreto: as pessoas estão com fome, e Jesus convoca os Seus discípulos para que esta fome seja saciada. Este é o fato concreto. Jesus não se limitou a dar apenas isto, mas por certo também fez isto: ofereceu Sua Palavra, Sua consolação, a Salvação, enfim, Sua Vida. Mas, certamente, também fez isto: teve preocupação com o alimento para o corpo.

E nós, Seus discípulos, não podemos passar ao largo de nada. Somente se formos sensíveis às demandas mais simples do povo, colocando-nos perto de suas situações existenciais concretas, é que seremos ouvidos, quando falamos de valores superiores.

É o Amor de Deus pela humanidade faminta de pão, de liberdade, de justiça, de paz, e sobretudo da sua graça divina, nunca é de menos.

Também hoje Jesus continua a matar a fome, a tornar-Se presença viva e consoladora, e o faz por meio de nós. Para tanto, o Evangelho nos convida a sermos disponíveis e operosos, como aquele rapaz que que percebe possuir cinco pães e diz: “Eu dou isto, depois você verá…”.

Diante do grito de fome – todo tipo de fome – de muitos irmãos e irmãs em toda parte do mundo, não podemos ficar como espectadores distantes e tranquilos. O anúncio de Cristo, pão da vida eterna, requer um generoso empenho de solidariedade com os pobres, os mais frágeis, os últimos, os indefesos. Esta atitude de proximidade e de caridade é o melhor atestado da qualidade da nossa fé, tanto no âmbito pessoal, quanto no âmbito comunitário.

Em seguida, ao final do relato, Jesus, quanto todos foram saciados, Jesus pede aos apóstolos que recolham as sobras, para que nada se perdesse. E eu gostaria de lhes propor esta frase de Jesus: “Recolham as sobras, para que nada se perca”. Penso no povo que passa fome e em quanto alimento sobrante que nós jogamos fora… Que cada um de nós pense: o alimento que sobra no almoço, no jantar, para onde vai? Em minha casa, o que se faz com as sobras? Jogam-se fora? Não. Se você tem este hábito, dou-lhe um conselho: fale com seus avós que viveram o pós-guerra, e pergunte-lhes o que faziam com as sobras. Nunca jogue no lixo as sobras. Devem ser reaproveitadas ou dadas a quem possa comê-las, a quem tenha necessidade. Nunca jogar as sobras no lixo.

Este é um conselho e também um exame de consciência: o que se faz em minha casa com o alimento que sobra?

Peçamos à Virgem Maria, para que, no mundo, prevaleçam os programas destinados ao desenvolvimento, à alimentação, à solidariedade, e não os do ódio, dos armamentos, da guerra.

https://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/angelus.html

(Do minuto 0:16 ao minuto 07:54)

Trad.: AJFC