Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 15.07.2018

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A passagem do Evangelho de hoje detém-se no estilo do missionário, que podemos resumir em dois pontos: a missão tem um centro; a missão tem um rosto.  O discípulo missionário tem, antes de tudo, um único centro de referência, que é a pessoa de Jesus. O relato indica isto, usando uma série de verbos que O tomam como sujeito: “Chamou a Si”, “Pôs-se a enviá-los dois a dois” “dava-lhes poder” “mandou”, “dizia-lhes”, é assim que o andar e o agir dos Doze aparecem como a irradiação desde um centro, como uma nova proposta de sua ação missionária. Isto manifesta de que modo os apóstolos não têm nada de si mesmos para anunciar, nem capacidade própria a demonstrar, mas falam e agem enquanto “enviados”, enquanto mensageiros de Jesus.

Este episódio do Evangelho diz respeito também a nós, e não apenas aos sacerdotes, mas a todos os batizados, chamados a testemunharem, nos vários ambientes da vida, o Evangelho de Cristo. E também para nós essa missão é autêntica somente a partir do seu centro imutável que é Jesus. Não se trata de uma iniciativa de fiéis individualmente tomados, nem de grupos e nem mesmo de grandes agremiações, mas é a missão da Igreja unida indissociavelmente ao seu Senhor. Nenhum cristão anuncia o Evangelho por conta própria, mas somente quando enviado pela Igreja, que recebeu mandato pelo próprio Cristo. É justamente o Batismo que nos torna missionários. Um batizado que não sente necessidade de anunciar o Evangelho, de anunciar a Jesus, não é um bom cristão.

A segunda característica do estilo do missionário é, por assim dizer, um rosto, que consiste na pobreza dos meios. Seus equipamentos respondem a um critério de sobriedade. Os Doze, com efeito, têm a ordem de não tomarem para a viagem nada mais que um bastão: nem pão, nem sacola, nem dinheiro no cinto. O Mestre os quer livres e leves, sem benesses e sem favores, preocupem-se apenas com o amor que Ele lhes envia, que se mantenham fortes apenas pela Sua palavra que vão anunciar. O báculo e as sandália são os dotes dos peregrinos, porque são os mensageiros do Reino de Deus, não poderosos administradores, não funcionários imutáveis, não estrelas de espetáculos. Pensamos, por exemplo, nesta Diocese na qual eu sou o Bispo. Pensemos em alguns santos desta Diocese de Roma: San Filippo Neri, San Benedetto Giuseppe Labre, Sant’Alessio, Santa Ludovica Albertini, Santa Francesca Romana, San Gaspare Del Bufalo e muitos outros. Não eram funcionários ou empresários, mas humildes operários do Reino. Tinham este rosto. E a este rosto corresponde também o modo como é acolhida a mensagem/; pode, de fato, acontecer que não sejam acolhidos ou escutados. Isto também é pobreza: a experiência do fracasso. A experiência de Jesus, que foi foi rejeitado e crucificado, prefigura o destino dos seus mensageiros. E só se estivermos unidos a Ele, morto e ressuscitado, conseguiremos encontrar a coragem da evangelização.

Que a Virgem Maria, primeira discípula e missionária da Palavra de Deus, nos ajude a levar ao mundo a mensagem do Evangelho com uma alegria humilde e radiante, para além de qualquer rejeição, incompreensão ou tribulação.

(Do minuto 02:35 ao minuto 09:00)

Trad.:AJFC

https://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/angelus.html

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