Mensagem do Papa Francisco

“Angelus,” dia 08-07-2018.

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A página do Evangelho de hoje apresenta Jesus de volta a Nazaré, e em dia de sábado, põe-se a ensinar na sinagoga. Desde quando partira de lá, e passara a pregar pelos caminhos e aldeias vizinhas, Jesus não havia posto os pés em sua terra. Está de volta. Portanto, toda aquela terra foi escutar este filho do povo, cuja fama de mestre sabido e de poderoso curador já se espalhara pela Galiléia, e para mais além. Mas, o que podia apresenta-se como um sucesso, transformou-se numa clamorosa rejeição, ao ponto de Jesus não poder aí operar nenhum prodígio, mas só poucas curas .

A dinâmica daquele dia é reconstruída em detalhe pelo Evangelista Marcos: a gente de Nazaré, primeiro, escuta, e permanece impactada. Em seguida, pergunta-se, perplexa: “De onde lhe vêm essas coisas, esta sabedoria?” e por fim se escandaliza, reconhecendo nEle o carpinteiro, filho de Maria, que eles haviam visto crescer. Por isto, Jesus conclui com a expressão tornada provável: “Um profeta só é desprezado em sua terra.” Perguntamo-nos: como é que os concidadãos de Jesus passam do maravilhamento à incredulidade? Eles fazem um confronto entre a humilde origem de Jesus e suas reais capacidades: é um carpinteiro, que não estudou, e no entanto, prega melhor do que os escribas e faz milagres. E, em vez de se abrirem à realidade, escandalizam-se. No entender dos habitantes de Nazaré, Deus é grande demais para abaixar-se falando a um homem tão simples. É o escândalo da Encarnação! O acontecimento desconcertante de Deus que se fez carne, que pensa com a mente de homem, trabalha e age com as mãos de homem, ama com coração de homem, um Deus que se cansa, come e dorme como qualquer um de nós. O Filho de Deus inverte todo esquema humano. Não são os discípulos que lavaram os pés do Senhor, mas foi o Senhor quem lavou os pés dos discípulos. Este é um motivo de escândalo e de incredulidade, não só naquela época, mas em toda época, inclusive hoje.

A inversão operada por Jesus empenha seus discípulos, de ontem e de hoje, em um exame pessoal e comunitário. Com efeito, também em nossos dias pode acontecer que alimentemos preconceitos que impedem de ver a realidade. Mas,o Senhor nos convida a que assumamos uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus, muitas vezes, se apresenta a nós, de modos surpreendentes, que não correspondem às nossas expectativas. Juntos, pensemos em Madre Teresa de Calcutá. Uma irmanzinha – ninguém dá nenhum tostão por ela – que percorria as estradas atrás dos moribundos a fim de que tivessem uma morte digna. Esta irmanzinha tão pequena, por meio da oração e com suas obras, fez maravilhas! A humildade de uma mulher revolucionou as obras de caridade, na Igreja. É um exemplo dos nossos dias. Deus não se conforma com preconceitos. Devemos esforçar-nos para abrir o coração e a mente, para acolhermos a realidade divina que nos vem ao encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus. Muitos batizados vivem, como se Cristo não existisse: repetem gestos e sinais de fé, mas a estes não correspondem uma real adesão à Pessoa de Jesus e ao seu Evangelho. Todo cristão – todos nós, cada um de nós – é chamado a aprofundar esta pertença fundamental, buscando testemunhá-la com uma conduta de vida coerente, cujo fio condutor será sempre a caridade.

Peçamos ao Senhor, pela intercessão da Virgem Maria, que desfaça a dureza dos corações e a estreiteza das mentes, para que sejamos abertos à Sua Graça, à Sua Verdade e a Sua Missão de Bondade e Misericórdia, que é dirigida a todos, sem qualquer exclusão.

https://www.youtube.com/watch?v=qM-ZgU-FTMQ

Trad.: AJFC

 

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