Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 01.07.2018

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo apresenta dois prodígios operados por Jesus, descrevendo-os quase como uma espécie de marcha triunfal à vida.

Primeiro, o Evangelista conta de um certo Jairo, um dos chefes da sinagoga, que vem até a Jesus, suplicando-O que vá à sua casa, porque sua filha de doze anos está morendo. Jesus aceita o pedido e vai com ele. Mas, no meio docaminho, chega a notícia de que a moça morreu. Podemos imaginar a reação daquele pai. Jesus, no entanto, lhe diz: “Não tenha medo, apenas tenha fé!” Ao chegar à casa de Jairo, Jesus manda que se afaste o pessoal que estava a chorar – lá se achavam inclusive mulheres que gritavam forte – e entra sozinho na casa, acompanhado apenas dos pais e de três discípulos, e, dirigindo-se à defunta, lhe diz: “Menina, Eu te digo: Levanta-te!” E, de repente, a moça se levantou, como se estivesse despertando de um sono profundo.

Neste relato, Marcos insereum outro: o da cura de uma mulher que sofria de uma hemorragia, e que é curada, apenas ao tocar a veste de Jesus.

Aqui, chama a atenção o fato de que aque a fé desta mulher atrai – tenho vontade de dizer: “rouba” – o poder salvífico divino de Cristo, que, ao sentir que dEle havia saído uma força, procura saber quem tinha sido. E quado a mulher, com muita vergonha, se põe diante dEle, e Lhe confessa tudo, Jesus lhe diz: “Filha, a tua fé te salvou!”

Trata-se de dois relatos interligados, tendo um único centro: a fé. E mostram Jesus como fonte de vida, como Aquele que refaz  a vida de quem nEle confia plenamente. As duas protagonistas , isto é, o pai da moça e da mulher enferma, não eram discípulas de Jesus, e, no entando, se vêem atendidas pelaforça de sua fé: têm fé naquele homem. Daí compreendemos que, no caminho do Senhor, todos são admitidos. Ningu~em deve sentir-se intruso. Para se ter acesso ao Seu coração, ao coração de Jesus, ´so há um requisito: sentir-se necessitado de cura e onfiar nEle. Eu lhes pergunto, a cada um de vocês, se cada um se sente necessitado de ser curado de alguma coisa, de algum pecado, de algum problema? E caso sente isto, tem fé em Jesus, existem dois requisitos para serem curados, para terem acesso ao Seu coração: sentirem-se necessitados de cura e terem fé nEle. Jesus quer atender a estas pessoas que se acham na multidão, e as tira doanonimato, as liberta do medo de viver e de ousar. E o faz com um olhar e com uma palavra que as repõe no caminho, depois de tantos sofrimentos e humilhações.

Nós também somos chamados a aprender e a imitar estas palavras e estes olhares que restituem, a quem dela se sente privado, a vontade de viver.

Nesta página do Evangelho, se entrelaçãm os termos da fé e da vida nova que Jesus veio oferecer a todos. Ao entrar na casa, onde jazia morta a moça, Ele manda que saiam os que se agitam e ficam na lamentação, e diz: “A menina não está morta: dorme. ” Jesus é o Senhor, e diante dEle, a morte física é como um sono: não há motivo para se desesperar. Outra é a morte diante da qual se deve temer: a do coração duro, de ter o coração endurecido pelo mal.  Desta, sim, devemos ter medo! Quando nós sentirmos que o nosso coração está endurecido, o coração que endurece – e, me permito a palavra – o coração se mumifica, devemos ter medo disto. Esta é a morte do coração, mas também o pecado, também o coração mumificado, para Jesus nunca é a última palavra, porque Ele nos trouxe a infinita misericórdia do Pai. E, ainda que tenhamos caído, Sua voz terna e forte nos alcança: “Eu te digo: levanta-te!” É bonito ouvirmos estas palavras de Jesus, dirigidas a cada um de nós: “Eu te digo: levanta-te! Vai! Vida para a mulher curaa; vida e fé para ambas.

Peçamos à Virgem Maria que acompanhe nosso caminho de fé e amor concreto, especialmente em relação a quem se acha em necessidade, e invoquemos sua materna intercessão pelos irmãos que sofrem no corpo e no espírito.

Tradução: AJFC

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