Mensagem do Papa Francisco

“Regina Coeli”, dia 22/04/2018
Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A Liturgia deste IV Domingo da Páscoa segue tentando ajudar-nos a responder à nossa identidade de discípulos do Senhor Ressuscitado. No livro dos Atos dos Apóstolos, Pedro declara abertamente que a cura por ele operada no enfermo, da qual toda a Jerusalém está a falar, aconteceu em nome de Jesus de Nazaré, porque em ninguém mais está a salvação. Naquele homem quanta coisa há de cada um de nós, quanta coisa há de nossas comunidades! Cada um de nós pode curar-se de tantas formas de enfermidade espiritual: a ambição, a preguiça, o orgulho – se aceitar colocar, com confiança, sua existência nas mãos do Senhor Ressuscitado: “No nome de Jesus Cristo, o Nazareno – afirma Pedro – Ele aí está em frente. Mas, Quem é o Cristo que cura? O que significa sermos por Ele curados? Ele nos cura de quê? E por que tipo de atitudes? E a resposta a todas essas perguntas, encontramos no Evangelho de hoje, em que Jesus diz: “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá Sua vida pelas ovelhas.” Esta auto-apresentação de Jesus não pode ser reduzida a uma sugestão emocional, sem qualquer efeito concreto! Jesus cura pelo fato de ser Pastor que dá a vida. Ao dar-nos Sua própria vida, Jesus está dizendo a cada um de nós: “Sua vida vale tanto para Mim, que, para salvá-la, Eu Me dou por inteiro.” É justamente esta oferta da própria vida que O torna Bom Pastor, por excelência: Aquele que cura, Aquele que nos permite viver uma vida bela e fecunda.

A segunda parte da mesma passagem do Evangelho nos diz em que condições Jesus pode curar-nos e pode tornar nossa vida alegre e fecunda: “Eu sou o Bom Pastor, conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas Me conhecem, como o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai.”  Jesus não fala de um conhecimento intelectivo, mas de uma relação pessoal, de predileção, de ternura recíproca, expressão da mesma relação íntima de Amor entre Ele e o Pai. Eis a atitude pela qual se realiza uma relação viva e pessoal com Jesus. Deixar-nos conhecer por Ele, não nos fecharmos em nós mesmos, mas abrir-nos a Jesus. Ele presta atenção a cada um de nós. Ele conhece com profundidade o nosso coração. Conhece nossos defeitos, conhece os projetos que realizamos, conhece nossas esperanças frustradas. Mas, Ele nos aceita como somos, mesmo com nossos pecados, para nos curar, para nos perdoar. Ele nos guia com amor, para que possamos atravessar caminhos difíceis, sem nos desviarmos da rota. Ele nos acompanha!

Somos chamados, por nossa vez, a conhecer Jesus. Isto implica um encontro com Ele, de modo a suscitar o desejo de segui-Lo, abandonando as atitudes centradas em mim mesmo, para caminhar sobre novas trilhas, indicadas pelo próprio Cristo, e abertas a vastos horizontes.

Quando em nossas comunidades, esfria-se o desejo de vivermos a relação com Jesus, o desejo de escutar Sua voz e de segui-Lo, com fidelidade, torna-se inevitável que acabem prevalecendo outras maneiras de pensar e de viver, sem coerência com o Evangelho.
Que Maria, nossa Mãe, nos ajude a amadurecer uma relação cada vez mais forte com Jesus, a nos abrirmos para que Ele entre em nós.  Uma relação mais forte com o Ressuscitado. Que assim, possamos segui-Lo por toda a vida.
Neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações que Maria interceda para que muitos respondam com generosidade e perseverança ao Senhor que chama a tudo deixar pelo seu Reino.      

(Do minuto 2:36 ao minuto 8:54)

Trad.: AJFC

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