Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 04.02.2018

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
 
O Evangelho deste domingo dá prosseguimento ao relato de um dia de Jesus, em Cafarnaum, num dia de sábado, festa semanal para os hebreus. Desta feita, o evangelista Marcos põe em destaque a relação entre a atividade taumatúrgica de Jesus e o despertar na fé das pessoas que Ele encontra. De fato, com os sinais de cura que Ele realiza em relação aos doentes de todo tipo, o Senhor quer, em resposta, suscitar a fé.
 
O dia de Jesus em Cafarnaum começa com a cura da sogra de Pedro, e termina com a cena de todo o povo da região reunido em frente à casa em que Jesus estava hospedado, para levar a cura a todos os doentes. A multidão, marcada pelo sofrimento físico e pela miséria espiritual, constitui, por assim dizer, o ambiente vital em que atua a missão de Jesus, feita de palavras e gestos que curam e consolam. Jesus não veio para trazer a salvação, num laboratório; não faz pregação de laboratório, está próximo do povo: está em meio a multidão, no meio do povo. Imaginar que a maior parte da vida pública de Jesus foi passada na estrada, no meio do povo, pregando o Evangelho, curando as feridas físicas e espirituais. E uma humanidade marcada pelo sofrimento, esta multidão, da quão o Evangelho fala tantas vezes. É uma humanidade marcada pelo sofrimento, pelo cansaço, e pelos problemas. Sobre esta pobre humanidade, a ação poderosa, libertadora e renovadora de Jesus manifesta-se diretamente. Assim, no meio da multidão, até a tardinha, encerra-se aquele sábado. E depois, Jesus faz o quê? Antes do alvorecer, ele sai da cidade, sem ser visto, e se retira em direção a um lugar afastado, para rezar. Jesus ora. Deste modo, afasta também sua pessoa e a sua missão de uma visão triunfalista, que distorce o sentido do milagre e do Seu poder carismático. Os milagres, na verdade, são sinais, que incitam resposta à fé. Sinais que são sempre acompanhados, por palavras que iluminam. E, juntos, sinais e palavras, Provocam a fé a conversão pela força divina da Graça de Cristo.
 
A conclusão da passagem de hoje indica que o anuncio do Reino de Deus, da parte de Jesus, reencontra o seu lugar mais apropriado no caminhar. Aos discípulos que o procuram para conduzi-lo até à cidade – os discípulos foram encontra-Lo onde ele estava a orar pois queriam levá-Lo à cidade -, o que é que Jesus responde? “Vamos a outros lugares, pelas aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá”. Este foi o caminho do Filho de Deus e este será o caminho dos Seus discípulos, e deverá ser o caminho de todo cristão. O caminho como lugar do anúncio gozoso do evangelho, põe a missão da Igreja sob o signo do caminhar. Sob o signo do movimento e nunca da inercia.
 
Que a Virgem Maria nos ajude a estarmos abertos a voz do Espirito Santo, que impulsiona a Igreja a armar sua tenda no meio do povo para levar a todos a Palavra curadora de Jesus, médico das almas e dos corpos.
 
(Do menino 0:15 ao minuto 5:25)
Trad.: AJFC 
Digitação: Heloíse Calado Bandeira

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