Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 08/10/2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A Liturgia de hoje nos propõe a parábola dos trabalhadores de uma vinha, a quem o proprietário confia a vinha que havia plantado, e parte, em seguida. E assim, é posta à prova a lealdade destes trabalhadores. A vinha lhes foi confiada. Eles devem conservá-la, fazê-la frutificar e devolver ao dono a colheita. No tempo da colheita, o dono envia seus servos para fazerem a colheita dos frutos. Mas, os traballhadores da vinha assumem uma atitude possessiva. Já não se consideram simples administradores, mas antes proprietários, e se recusaram a entregar a colheita. Maltratam os servos, a ponto de matá-los. O dono da vinha mosta-se paciente com eles: envia outros servos, em número maior do que o dos primeiros, mas o resultado é o mesmo. Enfim, mantendo-se paciente, resolve enviar seu próprio filho. Mas, os trabalhadores da vinha, reféns de seu comportamento possessivo, matam também o filho, pensando que, assim, ficariam com a herança.

Este relato ilustra, de modo alegórico, aquelas repreensões que os Profetas fizeram, em relação à história de Israel. É uma história que nos diz respeito. Fala da aliança que Deus quis estabelecer com a humanidade, e da qual também nos chamou a participar. Porém, esa história de aliança, como toda história de amor, conhece seus momentos positivos, mas é marcada também por traições e rejeições. Para fazer compreender como é que Deus Pai responde às rejeições opostas ao Seu Amor e à Sua proposta de Aliança, a passagem do Evangelho coloca nos lábios do dono da vinha uma pergunta: “Quando o dono daquela vinha retornar, o quê fará com aqueles agricultores?” Esta pergunta ressalta que a decepção de Deus com o mau comportamento dos homens não é a última palavra. Aqui está a grande novidade do Cristianismo: um Deus que, embora decepcionado com nossos eros, com nossos pecados, não falta comSua Palavra, não se cansa, e sobretudo não se vinga!

Irmãos e irmãs, Deus não se vinga. Deus ama, não se vinga. Ele nos espera para perdoar-nos, para nos abraçar.

Por meio das “pedras rejeitadas” – e Cristo é a primeira pedra que os construtores rejeitaram –, por meio de situações de fraqueza e de pecado, Deus continua pondo em circulação o vinho novo de Sua vinha, isto é: a misericórdia. É este o vinho novo da vinhda do Senhor: a misericórdia! Diante da vontade tenaz e terna de Deus, só há um impedimento: nossa arrogância e nossa presunção, que por vezes, viram até violência. Diante de tais atitudes, e lá onde não se produzem frutos, a Palavra de Deus conserva toda a Sua força de repreensão e de advertência: “De vocês será tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produza frutos.”

A urgência de responder com bons frutos ao chamamento do Senhor, que nos chama a nos tornarmos Sua vinha, nos ajuda a compreender o quê é novo e original na fé cristã. Esta não é tanto a soma de preceitos e de normas morais, mas é antes de tudo uma proposta de amor que Deus, por meio de Jesus, fez e continua fazendo à humanidade. È um convite a entrarmos nesta história de amor, tornando-nos uma vinha vicejante e aberta, com frutos abundantes e de esperança para todos. Uma vinha fechada pode tornar-se “selvagem” e produzir uma uva “selvagem”. Somos chamados a sair da vinha, para nos colocarmos a serviço dos irmãos que não estão conosco, para nos apoiarmos mutuamente, para nos encorajarmos a ser vinha do Senhor, em todos os ambientes, inclusive nos mais longínquos e sem atração.

Caros irmãos e irmãs, invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, para que ela nos ajude a estarmos em toda parte, especialmente nas periferias da sociedade, a vinha que o Senhor plantou para o bem de todos, e para produzir o vinho novo da Misericórdia do Senhor.

https://www.youtube.com/watch?v=mioBB0PDcsM
(Do minuto 0:15 ao minuto 08 :44)
Trad.: AJFC

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