Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 24.09.2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Na página do Evangelho de hoje, encontramos a parábola dos trabalhadores chamados para uma diária, que Jesus conta para comunicar dois aspectos do Reino de Deus: o primeiro, em que Deus quer chamar todos a trabalharem pelo o seu Reino; o segundo, em que ao final, quer dar a todos a mesma recompensa, isto é a salvação, a vida eterna.

O proprietário da Vinha, representa Deus, sai de manhãzinha, e convida um grupo de trabalhadores, combinando com eles um salário correspondente a uma certa quantia em dinheiro. Em seguida, sai, inclusive nas horas seguintes – nas horas seguintes, por cinco vezes no mesmo dia. – até ao entardecer – para convidar outros operários que ele encontra desocupados. Ao termino do dia o proprietário manda que seja dado o valor combinado a todos, inclusive à aqueles que tinham trabalhado poucas hora. Os operários da primeira hora se queixam, os operários convidados de primeira hora, lamentam, porque se vêem remunerados da mesma maneira que os que trabalharam menos. O proprietário, porém, lembra-os que eles receberam, que eles receberam o que havia sido pactuado. Se portanto, ele quis ser generoso com os outros, eles não devem ser invejosos.

Na realidade, estas ”injustiça” do proprietário, serve pra provocar, em quem escuta a parábola, uma mudança de nível, porque aqui Jesus não quer falar da questão do trabalho ou do salário justo, mas do Reino de Deus! E a mensagem é esta: No Reino de Deus, não há desocupados, todos são chamados a fazer sua parte. E para todos, no final, será dada a justa recompensa, que vem da justiça divina – e não da humana, para sorte nossa! -, isto é, a salvação que Jesus Cristo nos alcançou com sua morte e ressurreição.

Uma salvação que não é merecida, mas é dada – a salvação é gratuita-, para quem < << os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos>>.

Com esta parábola, Jesus quer abrir os nossos corações ao amor do Pai, que é gratuito e generoso. Trata-se de deixar-nos surpreender e fascinar pelos < > e pelos < > de Deus, que, como lembra o profeta Isaías, não são os nossos pensamentos e não são nossos caminhos. Os pensamentos humanos são, por vezes marcados pelo egoísmo e pelas vantagens pessoais, e nossos caminhos severos e sinuosos não são comparáveis em relação aos retos caminhos do Senhor. Ele usa de Misericórdia – não se esqueçam disto: Ele usa de misericórdia -, perdoa largamente, é cheio de generosidade e de bondade que derrama sobre cada um de nós, a todos abre os territórios sem fronteira do Seu amor e da Sua graça, que só podem dar ao coração humano a plenitude da alegria.

Jesus quer fazer-se contemplado no olhar daquele patrão: o olhar com qual enxerga cada um dos operários de trabalho, e o chama a caminharem pela sua vinha. É um olhar cheio de atenção e de benevolência; é um olhar que nos chama, que convida a levantar-nos, a colocar-nos no caminho, porque quer vida para cada um de nós, quer uma vida plena, empenhada, a salvo do vazio e da inércia. Deus que não exclui ninguém e quer que cada um alcance sua plenitude. Este é o amor de nosso Deus, do nosso Deus que é Pai.

Que Maria Santíssima nos ajude a acolher em nossa vida a lógica do amor, que nos liberta da presunção de merecer a recompensa de Deus e do julgamento negativo dos outros.

/www.youtube.com/watch?v=K0DaeCTJ_4s

*Do minuto 10:53 ao minuto 16: 39)
Trad.: AJFC
Digitação: Gabriel Luar Calado Bandeira