Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 27.08.2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo nos conta uma passagem-chave na caminhada de Jesus com os Seus discípulos: o momento em que Ele quer verificar em que ponto está a fé de Seus discípulos nEle. Primeiro, quer saber o quê dEle pensa o povo. E o povo pensa que Jesus é um profeta. E é verdade! Mas, não percebe o centro de Sua Pessoa, não recolhe o centro de Sua missão. Em seguida, faz aos discípulos a pergunta que está mais em Seu coração, ou seja, pergunta-lhes de forma direta: “Mas, vocês quem dizem ser Eu?” E, com este “Mas”, Jesus distingue decididamente os apóstolos, em relação à massa, como se dissesse: “Mas, vocês, que estão comigo todos os dias, e Me conhecem de perto, que mais perceberam?” Dos Seus, o Mestre espera uma alta e uma outra resposta, em relação à da opinião pública. E, com efeito, justamente uma resposta destas brota do coração de Simão, chamado Pedro: “Tu és o Ungido, o Filho de Deus vivo!” Simão Pedro encontra nos lábios suas melhores palavras, que não vinham de sua capacidade natural. Talvez, ele não tivesse feito sequer a escola primária, e é capaz de dizer essas palavras mais fortes do que ele, mas são inspiradas pelo Pai celeste, que revela ao primeiro dos Doze a verdadeira identidade de Jesus: Ele é o Messias, o Filho enviado por Deus, para salvar a humanidade. E, a partir desta resposta, Jesus compreende que, graças à fé dada pelo Pai, há um alicerce sólido sobre o qual Ele pode construir Sua comunidade, a Igreja. Por isto, Jesus diz a Pedro: “Você, Simão, é Pedro – isto é, pedra – e sobre esta rocha edificarei minha Igreja”.

Também hoje, conosco Jesus quer seguir construindo Sua Igreja, esta casa com sólidos alicerces,mas na qual não faltam fissuras, e tem contínua necessidade de ser reformada, consertada. Sempre. A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, reparada. Nós, certamente, não nos sentimos “Rochas”, sentimo-nos pedrinha, pequenas rochas. Todavia, nenhuma pedrinha é inútil. Ao contrário, nas mãos de Jesus, a menor das pedrinhas se torna preciosa, pois Ele a recolhe, gurada-a com ternura, cuida de lapidá-la com o Seu Espírito, e a coloca no justo lugar, que Ele pensou desde sempre, e onde ela pode ser mais útil a toda a construção.

Cada um de nós é uma pedrinha, mas nas mãos de Jesus, participa da construção da Igreja. E todos nós, por menores que sejamos, somos transformados em pedras vivas, porque quando Jesus põe na mão sua pedrinha, Ele a torna Sua – pedra viva, pedra de vida pelo Espírito Santo, cheia de vida pelo Seu Amor, e assim, tenhamos um lugar e uma missão na Igreja: esta é comunidade de vida, feita de muitíssimas pedras, todas diferentes, a formarem um único edifício, em sinal de fraternidade e de comunhão.

Além disto, o Evangelho de hoje nos lembra que Jesus também quis para a Sua Igreja um centro visível de comunhão em Pedro –que também não é uma grande pedra, é uma pedra pequena, mas colhida por Jesus, torna-se centro de comunhão – em Pedro e naqueles que o sucederiam, na mesma responsabilidade de primazia, que desde as origens, vêm sendo identificados como Bispos de Roma, cidade em que Pedro e Paulo deram testemunho de sangue.

Confiemo-nos a Maria, Rainha dos Apóstolos, Mãe da Igreja. Ela se encontrava no Cenáculo, ao lado de Pedro, quando o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos, e mandou que eles saíssem a anunciar a todos que Jesus é o Senhor. Que hoje nossa Mãe nos ampare e nos acompanhe, pela sua intercessão, para que realizemos plenamente aquela unidade e aquela comunhão pela qual Cristo e os Apóstolos rezaram e deram a vida.

https://www.youtube.com/watch?v=Z_bieWzAAAU

(Do minuto 11:07 ao minuto 18:42)
Trad.: AJFC

Share

Comentários

comentários