Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 13.08.2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, a página do Evangelho descreve o episódio de Jesus que, após haver orado, durante toda a noite, à beira do Lago da Galiléia, dirige-se em direção à barca dos Seus discípulos, caminnhando sobre as águas. A barca se achava no meio do Lago, bloqueada por um forte bento contráio. Quando vêem Jesus vindo, caminhando sobre as águas, os discípulos O confundem com um fantasma, entram em pânico, mas Ele os tranquliza: Coragem! Sou Eu. Nâo tenham medo!” Pedro, com seu ímpeto característico, Lhe diz: “Senhor, se és Tu mesmo, manda que eu vá até Ti, caminhando sobre as águas.” E Jesus o chama: “Vem!” Pedro desce da barca, e se põe a caminhar sobre as águas, em direção a Jesus. Mas, por causa do vento, Pedro se agita, e começa a afundar. Então, Pedro grita: “Senhor, salva-me”, e Jesus lhe estende a mão e o socorre.

Este relato do Evangelho contém um simbolismo, e nos faz refletir sobre nossa fé, tanto enquanto pessoa, como enquanto comunidade. sobre a fé de todos, inclusive a de todos os que estamos aqui, nesta Praça; a comunidade eclesial, esta comunidade eclesial – a fé de cada um de nós e a fé de nossa comunidade. A barca é a vida de cada um de nós, mas é também a vida da Igreja. O vento contrário representa as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro – “Senhor, manda que eu vá em direção a Ti” – e o seu grito – “Senhor, salva-me” parecem muito com o nosso desejo de sentirmos proximidade com o Senhor, mas também o medo e o sofrimento, que acompanham os momentos mais duros da vida nossa e de nossas comunidades, marcada pelas fragilidades internas e pelas dificuldades externas. Naquele momento, não bastou a Pedro a palavra segura de Jesus, que era como uma corda estendida a quem está a afogar-se diante das águas hostis turbulentas.

É o que pode também suceder a nós. Quando estamos amparados na Palavra do Senhor, mas para termos mais segurança, consultamos horóscopos e cartomantes, começamos a afundar. O Evangelho de hoje nos lembra que a fé no Senhor e na sua Palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo; não nos subtrai as tempestades da vida. A fé nos dá a segurança de uma presença que nos impulsiona a superar os contratempos existenciais, a certeza de uma mão que nos socorre para nos ajudar a enfrentar as dificuldades, indicando-nos o caminho mesmo na escuridão. A fé, em resumo, não é uma escapatória da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido.

Este episódio é uma imagem formidável da Igreja de todos os tempos: uma barca, que ao longo da travessia, deve deparar-se também com ventos e tempestades, que ameaçam naufragar. O que salva não é a coragem e as qualidades dos seus homens: a garantia contra os naufrágios é a fé em Cristo e em Sua Palavra. Sobre essa barca estamos a salvo, apesar de nossas misérias e debilidades, sobretudo quando nos colocamos de joelhos e adoramos o Senhor, como os discípulos que, ao final “se prostraram diante dEe, dizendo: “Verdadeiramente, Tu és o filho de Deus!’ “

Que a Virgem Maria nos ajude a perseverar bem na fé para resistirmos aos contratempos da vida, a permanecermos sobre a barca da Igreja, fugindo à tentação de subir em outros barcos sedutores, mas inseguros, das ideologias, das modas e dos “slogans”.

https://www.youtube.com/watch?v=MGnaogSoJ_8
(Do minuto 11:02 ao minuto 17:47)
Trad.: AJFC

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