Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 11.06.2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

As leituras bíblicas deste Domingo – festa da Santíssima Trindade – nos ajudam a entrar no mistério da identidade de Deus. A segunda Leitura apresenta as palavras de augúrio que São Paulo dirige à Comunidade de Corinto: “A Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês!” Esta, digamos, bênção do Apóstolo é fruto de sua experiência pessoal do Amor de Deus, aquele Amor que Cristo Ressuscitado lhe revelou e o impulsionou a levar o Evangelho às gentes. A partir desta sua experiência de Graça, Paulo pode exortar os cristãos, com estas palavras: “Fiquem alegres, orientem-se em direção à perfeição, animem-se, vivam em paz.” A comunidade cristã, apesar de todos os limites humanos, pode tornar-se um reflexo da Comunhão da Trindade, de Sua bondade, de Sua beleza. Mas, isto – como o próprio Paulo testemunha – passa necessariamente pela experiência da Misericórdia de Deus, do Seu perdão.

É isto o que ocorre aos hebreus, a caminho do êxodo. Quando o povo descumpriu a Aliança, Deus se apresenta a Moisés, numa nuvem, para renovar aquele Pacto, proclamando o próprio Nome e o seu signficado. Ele assim se expressa: “O Senhor Deus, misericordioso e piedoso, lento para a ira, e rico em misericórdia e amor e em fidelidade.” Este Nome expressa que Deus não está longe nem fechado em Si mesmo, mas é Vida que quer comunicar-Se, é abertura, é Amor que resgata o ser humano da infidelidade. Deus é misericordioso, piedoso e rico de graça, porque a nós Se oferece para superar os nossos limites e as nossas faltas, para perdoar os nossos erros, para nos reconduzir ao caminho da Justiça e da Verdade. Esta revelação de Deus está associada à sua realização no Novo Testamento, graças à Palavra de Cristo e à Sua Missão de Salvação. Jesus nos manifestou o rosto de Deus, Uno na substância, e Trino ns Pessoas. Deus é todo e somente Amor, numa relação subsistente que tudo cria, redime e santifica: Pai e Filho e Espírito Santo.

E o Evangelho de hoje põe em cena Nicodemos que, embora ocupasse um lugar importante na comunidade religiosa e civil daquele tempo, não se eximiu de procurar a Deus. Ele não pensou: “Cheguei”. Não se dispensou de procurar a Deus, e agora percebeu o eco de Sua voz em Jesus. No diálogo noturno com o Nazareno, Nicodemos compreende finalmente que já estava sendo procurado e esperado por Deus, que já estava sendo pessoalmente amado por Ele. Deus sempre nos procura, por primeiro; nos espera, por primeiro, sempre nos ama, primeiro. É como a flor de amêndoa. Assim diz o Profeta: “Floresce primeiro.” Jesus, com efeito, assim lhe fala: “Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Filho, Unigênito, para que todo aquele que nEle crer, não se perca, mas tenha a vida eterna. O quê é esta vida eterna? É o Amor sem medida, gratuito do Pai, que Jesus deu sobre a cruz, oferecendo Sua vida pela nossa Salvação. E este Amor, com a ação do Espírito Santo, irradiou uma luz nova sobre a Terra e em todo coração humano que O acolhe; uma luz que revela os aspectos sombrios, as durezas que nos impedem de darmos os bons frutos da caridade e da misericórdia.

Que a Virgem Maria nos ajude a entrarmos cada vez mais integralmente na Comunhão Trinitária, para vivermos e testemunhar o Amor, que dá sentido à nossa existência.

https://www.youtube.com/watch?v=zOeWflYlMs4
(Do minuto 0:13 ao minuto 6:57)
Trad.: AJFC

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