Memória: Humilhados e ofendidos, em pleno século XXI

Documentário de Cesar Brie sobre os eventos que ocorreram em 24 de maio de 2008 – século XXI, portanto – na cidade de Sucre, Bolívia. Não pense que você não entendeu o que acaba de assistir, porque você provavelmente entendeu: camponeses e indígenas foram espancados, humilhados, obrigados a se ajoelharem nus e negarem suas origens, na praça principal da cidade.

Memória: Humilhados e ofendidos, em pleno século XXI

Eles estavam reunidos no estádio da cidade para evento no qual participaria o presidente da república Evo Morales. Os camponeses da zona rural de Oropeza, próxima a Sucre, realizaram manifestações contra os atos, inclusive criticando meios de comunicação da cidade, que, segundo eles, incentivam a violência.

Por que isso ocorre? Segundo o jornalista Leonardo Sakamoto, porque são uma maioria indígena, “lutando para ter direitos, em um país economicamente dominado por uma elite muitas vezes preconceituosa e reacionária”.

Este tipo de ação das elites você, nobre espectador brasileiro, não verá nos telejornais brasileiros. Verá, sim, críticas vazias a Evo Morales, ele também um indígena. À época, a mídia tentou passar a imagem de Sucre como uma cidade avançada avançada econômica e politicamente. E pinta líderes da elite como potenciais líderes políticos.

Para assistir ao documentário na íntegra, digite “Humillados y ofendidos” no You Tube. Ele está separado em partes (em espanhol).

“El País” manipulou situação política no país

O BoletimNPC noticiou, à época, que o jornal espanhol El País manipulou informações, prejudicando a imagem dos indígenas e camponeses diante da opinião pública internacional. A denúncia foi feita pelo membro do Fórum Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas, Bartolomé Clavero, e publicada na Agencia Boliviana de Informações (ABI).

Clavero enviou uma carta aberta ao diretor do periódico questionando, por exemplo, a ausência no jornal de reportagens sobre as agressões violentas acima citadas. “Já quando o assunto é atitudes consideradas violentas dos povos indígenas, El País teria realizado com veemência reportagens sobre os referendos acerca dos estatutos autonomistas, nas quais constam fotografias de indígenas queimando as urnas por não concordarem com a realização das votações”, indicou o BoletimNPC.

“Há apenas uma semana vocês tiveram a possibilidade de publicar as fotos, pois chegaram a todas as redações, de indígenas torturados publicamente nas ruas de Sucre pelas juventudes dos comitês cívicos e não deram sequer a notícia. Não existe para vocês diferença entre queimar coisas e torturar pessoas? Pelo visto pensam que a primeira atitude é mais grave porque são os indígenas que a cometem”, escreveu Bartolomé Clavero.

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