Memória de José Comblin

fotoComo Eduardo Hoornaert costuma sublinhar, com entusiasmo, seguem ativos muitos grupos, espalhados pelo mundo, que buscam inspiração no legado do Pe. José Comblin.

Em nosso Grupo Kairós/Nós Também Somos Igreja, seguimos alimentando-nos, semanalmente, da leitura de parte da obra de Comblin. No momento, estamos revisitando seu “Vocação para a Liberdade”, que tivemos a alegria de refletir com o autor, por ocasião do lançamento do mesmo livro, em 1998 (no mesmo ano da criação do nosso Grupo).

Muito feliz a observação feita por Carlos Mesters (e recordada por Eduardo e por Marcelo), acerca de que Comblin vem do futuro. No meu entender, esse perfil prospectivo de Comblin também está entranhadamente vinculado ao seu constante e crítico exercício da memória do passado do povo dos pobres, de seus feitos, de suas conquistas, de seus fracassos, de suas lutas e esperanças, assim como se acha ubicado em seu jeito singular de inserir-se no presente (a isto faz referência um belíssimo poema de autoria de Irmã Agostinha Vieira de Melo, que transcrevo, logo abaixo).

Comblin me parece um genial tecelão desses fios – memória, práxis e esperança, ou em outra ordem: esperança, memória e práxis. Isto fazendo sempre DESDE e COM o protagonismo do povo dos pobres, e de sua paixão pela Mãe-Terra (como lembra Mônica Muggler, por exemplo, acerca das tantas árvores que ele plantou no sítio São José, no Alto da Boa Vista, em Bayeux – PB, onde morou, por cerca de 15 anos, e onde, por conta de um início de incêndio, chegou a ferir-se, carregando água para debelar o início das chamas (imaginem… Comblin, bombeiro!).

Alegra-nos saber como ele foi um genial tecelão desses fios (futuro-passado-presente). Como também muto nos alegra percebê-lo como alguém profundamente enraizado no povo dos pobres, de modo que é quase impossível entender a figura de Comblin desvinculada do protagonismo dos “de baixo”. Seu legado vem profundamente banhado, não apenas da companhia, mas também do protagonismo do povo dos pobres.

Disto é prova a experiência-chave da Teologia da Enxada, com todos os seus fecundos e vivos desdobramentos – e aqui me refiro a uma dezena de experiências, dentre as quais o Centro de Formação Missionária, tanto em sua versão masculina, quanto em sua versão feminina; a Associação dos Missionários e Missionárias do Campo; a Fraternidade do Discípulo Amado; a Associação dos Missionários e Missionárias do Nordeste; o Curso da Árvore; as Escolas de Formação Missionária e outras experiências que contaram com seu entusiasmado acompanhamento presencial, junto com respectivas equipes de formadores e formadoras.

Comblin vive na esperança e nas lutas do povo dos pobres!

Fonte: Teologia Nordeste
http://teologianordeste.net/index.php/publicacoes/artigos/135-memoria-de-jose-comblin