Martírio

Ontem, concluí a celebração do dia da ressurreição de Jesus, indo à tarde ao Cinema São Luiz assisti “Martírio”, filme documentário de Vincente Carelli sobre a vida e a situação atual dos índios Guarani – Kaiowá no Mato Grosso do Sul.

O filme é um testemunho muito importante e comovente. Mostra como os Guarani Kaiowá foram enganados, tiveram suas terras invadidas e tomadas por grandes fazendas de soja e agora de cana de açúcar.

O filme acompanha os Kaiowás na perseverança e teimosia em voltar às suas terras ancestrais desde os anos 80. Revela os assassinatos e crimes com os quais os fazendeiros tentam intimidar as comunidades indígenas. Mostra como essas resistem não por sua força social, nem por sua impressão de que podem vencer a sociedade dominante, mas resistem por sua espiritualidade. Sua fé lhes diz que a terra é de Deus e o Grande Espírito quer que todos possam ocupá-la e possam tomar conta dela como cuidadores da criação.

É impressionante ver a coragem de vários líderes, homens e mulheres que sabem estar arriscando a vida e entretanto sempre voltando à terra ocupada pelos invasores, mesmo sob ameaças de morte. Vemos também os deputados falando em ocupações violentas, como se fossem os índios que fossem violentos e não eles. A senadora Katia Abreu defendendo os grandes proprietários contra os lavradores sem-terra e os índios.

Ao ver esse filme, ficamos com uma impressão pesada de ser brasileiros e sabendo ou não conivente com o genocídio praticado contra os povos indígenas. É tempo de ver o filme (está passando no Brasil todo) e de incorporar às nossas lutas a solidariedade às lutas indígenas por suas terras e por sua autonomia cultural.

(17-04-2017)

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