Mario Vargas Llosa

vargas llosaAcabo de assistir à entrevista concedida por Mario Vargas Llosa ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em maio de 2013. Uma verdadeira lição, ou muitas lições, de muitas coisas. De literatura, obviamente, onde o escritor descreve tanto o processo criativo de várias das suas obras, como opina sobre escritores como Borges e Cortázar, García Márquez, etc.

Mas também lições que talvez não possam ser transcritas ao papel, porque ficam no terreno do imponderável, das sugestões que a presença de alguém pode nos deixar, sem que necessariamente seja possível trazê-las para o mundo da palavra. Com tudo, algo pode e até deve ser dito. Lições de esperança. A literatura como um antídoto eficaz contra todos os ideologismos –inclusive os dele próprio–, contra a barbarização da cultura, o seu empobrecimento, a sua banalização.

Um corte com chavões sobre a sociedade e a humanidade, que certo militantismo pobre e empobrecedor continua a espalhar, cego sobre sua própria cegueira. Escutar Vargas Llosa é uma viagem enriquecedora. Uma viagem por algo que agora começa a chegar, que é o que pode nos tornar mais humanos aos humanos: a nossa capacidade de nos entregarmos com tudo a algo, a alguma coisa, a uma causa, a algo pelo qual para nós valha a pena viver ou morrer.

Pode ser a literatura, a política, o estético, o cultivo do belo, do erotismo, o que for. Uma razão vital. Vargas Llosa transpira e transmite enamoramento pela vida. A literatura como extinção das fronteiras, como universalização da humanidade e da cultura, mais além dos nacionalismos. E, temos que dizer, também mais além de qualquer sectarismo, qualquer pretensão de apropriação privada da verdade ou da realidade.