Manifesto pelo Funk Livre: contra a criminalização do funk e pela liberdade de expressão

Do NPC

Confira o manifesto da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk), endereçado a toda a sociedade em defesa da liberdade de expressão e da descriminalização do funk e da pobreza.

“MC é o cara que canta. MC não da tiro em ninguém. MC não é traficante. FUNK não é facção. FUNK é povão – (MC Galo)

Nas favelas do Rio de Janeiro, nasceu, ao longo dos últimos 40 anos, o funk carioca. Através dele, jovens pobres, em sua maioria negros, falam o que sentem, o que vivem e o que vêem. Independentemente de escolaridade, formação técnica, estrutura ou dinheiro, o funk se afirmou como uma das maneiras mais democráticas de expor pensamentos e idéias para narrar as partes boas e ruins da vida. Não há “funk do bem” ou “funk do mal”. O funk é um só. O que há são formas de ver o mundo, que possui momentos felizes e momentos tristes. Momentos de amor, de amizade, de decepção, de luta, de revolta, de paz… e de violência.

Em nossa cidade, a violência é uma infeliz realidade, que não foi criada pelo funk. Pelo contrário, assim como narra com excelência várias situações da vida, o funk narra com excelência também a violência. Não é pra menos: a maior parte das vítimas da violência são os jovens pobres e negros da cidade – os mesmos que compõem majoritariamente a massa funkeira. Mas não é só no funk que isso é narrado. Chico Buarque, Caetano Veloso, Jorge Ben, Bezerra da Silva, João Bosco, Lenine e Rita Lee são alguns exemplos de compositores que possuem em seus currículos obras musicais que retratam a violência, as drogas e o banditismo existente na sociedade. A criação artística transforma o crime em elemento estético e isso não significa que o artista seja criminoso.

Quando o jovem fala sobre a violência, sua voz precisa ser ouvida, e não calada. Quando ele fala de facções, significa que elas existem e que precisamos arrumar solução para esse problema. Desta maneira, o funk se afirma como um elemento fundamental da vida democrática, na medida em que também expõe nossas feridas sociais, contribuindo para que possamos diagnosticar as questões que precisamos resolver.

Ao prender os MC’s que cantam os chamados “proibidões”, a sociedade está se afastando da real solução. Será que dentro da cadeia esses jovens vão começar a compor canções de amor? Dizer “sim” para esta pergunta é desconhecer totalmente o papel que a prisão cumpre e a realidade vivida pela juventude presa.

Não é reprimindo a juventude e censurando a arte que nossos problemas vão deixar de existir. Se queremos ouvir apenas “músicas bonitas”, precisamos construir uma sociedade melhor, sob pena de exigirmos hipocrisia e negligência dos MC’s.

Assim, repudiamos prisões de pessoas pelo que cantam. Somos pelo direito constitucional à Liberdade de Expressão e contra qualquer censura. PELO FUNK LIVRE!”

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