Latifúndio e expansão do agronegócio acirram conflitos no campo

Nesta quarta-feira (2), 300 famílias do acampamento Chico Mendes, que ocupa os 580 hectares do Engenho São João, no município de São Lourenço da Mata (PE), foram mais uma vez ameaçadas de despejo. A Justiça concedeu a reintegração de posse do engenho, que faz parte da massa falida da Usina Tiúma, pertencente ao grupo Votorantim. Após sucessivos adiamentos, a ação para retirar as famílias foi marcada para ontem. Cerca de 300 policiais da tropa de choque da Polícia Militar de Pernambuco cercaram a área durante todo o dia. Os sem-terra decidiram resistir à ação e a polícia deixou o local no final da tarde. “Eles disseram que vão voltar hoje”, conta o integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Alexandre Conceição.

Segundo os sem-terra, o primeiro despejo realizado no ano passado foi bastante violento. Mais de 600 policiais cercaram a área durante 48 horas e utilizaram bombas de efeito moral para retirar as famílias que já viviam há um ano e meio no local. Em março, contudo, os sem-terra voltaram a ocupar o engenho. “O Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] já tem reunião marcada para o próximo dia 15 com a Votorantim para discutir a desapropriação. Esperamos sensibilizar o juiz local para que a reintegração de posse seja suspensa”, afirma Alexandre.

A reportagem completa, de Fabiana Vezzali, está na página do Repórter Brasil.

Revista diária fundada em 13 de maio de 2000.

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