Lançado estudo sobre devastação no Mato Grosso durante Fórum Social Mundial

Por Mariana Borgerth, de Belém (PA), para a Revista Consciência.Net

Devastação no sul do estado, crescimento do desmatamento no norte e comprometimento das nascentes do Rio Xingu. Estes foram alguns dos problemas descritos no relatório da organização não governamental Greenpeace, lançado nesta quinta-feira (29), sobre o uso da terra no Mato Grosso.

Através dessa pesquisa foi possível identificar as principais aéreas de expansão e consolidação da pecuária nas áreas de Floresta amazônica na região. O objetivo da organização é lançar um panorama sobre cada estado que possui área de floresta Amazônica até o final do ano. Segundo a organização, o estado foi escolhido por possuir a segunda maior produção de gado do país e por apresentar o maior índice de desmatamento acumulado.

De acordo com o estudo um dos maiores preocupaçoes no Mato Grosso é o rio Xingu. O curso do rio está protegido porque se encontra dentro da área do parque indígena do Xingu. O grande problema está nas nascentes, que acabam tendo mananciais destruídos, alterando assim o equilíbrio ecológico, já que muita espécies de peixes precisam ir ate as nascentes para poderem se reproduzir.

Além disso, chamou atenção dos pesquisadores uma nova área de expansão do desmatamento no noroeste do estado. Foram identificadas ações predatórias de madeira, seguida de queimada e desmatamento.

Concluiu-se também que o nível de devastaçao acompanha a expansao de rodovias. Existe uma grande quantiodade de estradas nao-oficiais, ou seja, que nao aparecem nos mapas oficiais do Departamento Nacional de Infra-extrutura e Transporte (DNIT), o que segundo, a instituiçao possibilita propriedades cada vez maiores.

O que o Greenpeace está propondo com esses estudos é que sejam estabelecidas açoes políticas para a preservaçao. O Greenpeace defende o projeto “desmatamento zero”, que pretende até 2015 conseguir que não se desmate, mas não explicaram como isso funcionaria em relação, por exemplo, ao pequeno produtor. Além eles também defendem a valorização da floresta em pé para que não incentivar o desmatamento e o redirecionamento dos investimentos para outras produções.

A investigação foi realizada a partir de imagens de satélites, que fotografaram e mapearam as atividades no estado ao longo de um ano e sobrevôos em determinadas regiões do Mato Grosso.

Gado e Amazônia

Entre 2000 e 2007 foram desmatado mais de 150 mil quilômetros quadrados de floresta, o que equivale a uma área maior que a do estado do Acre.

Segundo o Greenpeace, a expansão da pecuária na Amazônia, foi motivada por diversos motivos, entre eles o baixo custo para adquirir terras de mata nativa, a questao da febre aftosa, que atingiu o Paraguai e prejudicou os produtores do centro-oeste. Essas condiçoes levaram o Brasil a
possuir o maior rebanho comercial do mundo, cerca 190 milhoes de animais.

Além disso, desde 2003, quando aconteceu um salto na exportação se tornou o maior exportador de carne e ganhou relevância na exportação de derivados como por exemplo, couro. Durante o processo, grandes grupos vêm conseguido fortalecimento no mercado internacional, entre eles o frigorífico JBS, que se tornou uma das maiores produtoras e comerciantes do mundo.

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