Julho Vermelho

Mês de julho marca o início da temporada de queimadas no Brasil

Por João Reis(*)

O mês de julho, em que se inicia o inverno e explodem as festas juninas por todo o país, deve servir como um momento de alerta para as autoridades e a população em geral quanto ao problema dos incêndios florestais.

Com o início da seca e a maior freqüência de soltura de balões, áreas de vegetação, principalmente aquelas mais próximas a regiões urbanizadas, ficam sucetíveis à ação do fogo, que destrói, em média, 25 mil Km² de florestas por ano no Brasil.

Os incêndios florestais provocam uma série de problemas, que têm impactos imediatos não apenas no ecossitema local, mas em comunidades e cidades próximas. Isso porque as áreas depredadas pelo fogo ficam sujeitas aos processos erosivos, já que o solo é empobrecido, ao perder muitos de seus nutrientes. Com a perda de árvores, cujas raízes mantêm o solo compactado, há maior ocorrência de deslizamentos, no caso de áreas irregulares. Os ‘impactos urbanos’ provocados por essa alteração dos biomas são sentidos no verão seguinte, em que as fortes chuvas fazem o restante do trabalho, matando milhares de pessoas todos os anos.

Além dos incêndios que ocorrem naturalmente ou aqueles provocados pela queda de balões, são ameaças constantes as queimadas promovidas por agricultores, ao ‘limpar’ suas propriedades para o cultivo, e por turistas que fazem pequenas fogueiras – para cozinhar, se aquecer ou para sinalização (quando estão perdidos) – as quais, muitas vezes, se alastram, atingindo áreas de vegetação nativa.

As regiões serranas estão entre os pontos mais afetados do país. Além de serem frias e secas, provocando uma estiagem ainda maior, recebem um maior número de turistas nessa época do ano. O caso do Parque Nacional do Itatiaia, localizado na Serra da Mantiqueira, no estado do Rio de Janeiro, é exemplar. Essa importante unidade de conservação, que recebe mais de 80 mil visitantes anualmente, já passou por três grandes incêndios: em 1988, quando o fogo consumiu 5 milhectares de vegetação campestre nativa; em julho de 2001, quando foram destruídos mais de 600 hectares de vegetação rupestre do planalto e em agosto de 2007, ocasião em que o fogo se alastrou por mais de 800 hectares dos campos de altitude. Os dois primeiros foram causados por turistas perdidos, que fizeram fogueiras para serem localizados, enquanto que o último, suspaeito de ter sido criminoso, ainda é investigado.

Falta de infra-estrutura do IBAMA prejudica fiscalização

Vale lembrar que o Rio de Janeiro é um dos estados onde os níveis de desmatamento estão sendo cada vez menores. Enquanto isso, Mato Grosso, Pará e outros estados onde atividades agropecuárias costumam imperar, à revelia das leis brasileiras, terão mais um ano de grandes queimadas, que serão noticiadas de forma descontextualizada pela grande mídia.

Para reverter esse cenário, é preciso que se combatam as queimadas provocadas por proprietários rurais, não apenas punindo os culpados, mas oferecendo tecnologias que sirvam como alternativa a essa prática. Deve-se também tomar providências quanto à soltura de balões festivos, caso cuja complexidade se deve a sua forte expressão cultural e a seu tipo de confecção, que é artesanal, dificultando o controle sobre sua produção e comercialização. Tais aspectos demandam um verdadeiro trabalho de conscientização e educação ambiental, que não deve se limitar às propagandas televisivas, sendo estendido às escolas e lares dos cidadãos.

Quanto aos incêndios em parques nacionais provocados por turistas, é necessário um trabalho de fiscalização maior, que passa necessariamente por uma reestruturação do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Pois o órgão, que é responsável direto pela fiscalização dos parques nacionais do país, não têm efetivo suficiente para dar conta dos mais de 33 milhões de hectares que constituem tais unidades de conservação, correspondentes a mais de um quarto do território brasileiro.

(*) João Reis é colaborador da Revista Consciência.Net, estudante de jornalismo da UFRJ e bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET) da Escola de Comunicação da UFRJ.

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