Jornalismo declaratório

Foto: Rawpixel.com

Foto: Rawpixel.com

Em todos os países há políticos demagogos que falam o que quiser, sem se dar o trabalho de pesquisar sobre o tema. Alguns, inclusive, presidentes – como tem sido comum –, que não têm vergonha de mentir à nação.

No jornalismo, não é incomum abrir espaço para estas declarações. Afinal, vêm de um chefe de Estado. Elas vêm acompanhadas, no entanto, de comentários de especialistas, checagem de dados e verificação dos fatos. Isso se chama jornalismo.

Mas, em todo o mundo, desde muito tempo, não se pratica mais jornalismo diante de tais palavreados inconsequentes. Simplesmente se descreve o que a autoridade pública disse e pronto – publica-se!

Isso pode ser qualquer coisa, menos jornalismo.

Há, inclusive, uma expressão para isso: é o jornalismo declaratório. Alguém declara qualquer besteira, você publica e empresta a credibilidade da imprensa ou da TV para essa besteira. Não é jornalismo e, na maior parte das vezes, é pura desinformação a serviço do poder.

Foi assim que o fantoche que ocupa o Palácio do Planalto conseguiu emplacar algumas linhas em diversos meios de comunicação, afirmando que “em nenhum país do mundo há uma Justiça do Trabalho como no Brasil” (Valor Econômico).

Mentira. Desinformação. Mas o jornalismo declaratório nada informa, apenas amplia a ignorância ou opinião. Como disse, não é jornalismo. O jornalista Leonardo Sakamoto – esse, sim, praticando jornalismo comum – foi atrás de especialistas e rapidamente desmascarou o fantoche-presidente.

Pouco importa. Deu na TV, no rádio, o presidente disse.

E a grande mídia ainda se pergunta por que está em crise.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *