Investimento público é transformado em lucro privado em mega-eventos

Maquete do principal estádio da Copa 2010. À sua volta, nenhuma cidade (divulgação)

Maquete do principal estádio da Copa 2010. À sua volta, nenhuma cidade (divulgação)

João Sette, pesquisador da USP, afirma que o modelo de desenvolvimento dos mega-eventos como Copas do Mundo e Olimpíadas privilegia apenas grandes empresas, sem levar em conta as necessidades das populações. Reportagem da Agência Pulsar.

Sette observa que, ao falar de “crescimento econômico”, os governos não especificam quem vai se beneficiar e não determinam se será ou não um crescimento distribuído em toda a sociedade.

Na opinião do pesquisador, “o que existe de mais perverso nos mega-eventos é que os investimentos são feitos com dinheiro público, mas os lucros são privados. Sendo assim, o povo paga para que os eventos ocorram. Contudo, quem ganha são as empresas que lucram com toda a estrutura.”

Exemplo da falta de retorno para toda a sociedade são os transportes. Na África do Sul, próxima sede da Copa, os táxis coletivos estão sendo substituídos pelo modelo de transporte indicado pelo Banco Mundial. Estes táxis coletivos equivalem ao nosso transporte alternativo.

Alan Mabim, que é sul-africano, afirma que esta ação está aumentando o desemprego em um país onde 40% da população já está desempregada. Isso porque o novo modelo de transporte não re-insere os trabalhadores dos táxis coletivos. Outro problema é que o novo transporte não atende a toda a população. (Agência Pulsar)