Integração

Talvez não fosse ainda o tempo, pensou, de publicar um novo livro. Talvez o que até agora tenhas escrito, seja como uma espécie de escada que ainda irá subir mais alguns degraus. Muitos degraus, até chegar do outro lado da página, o lugar em que te encontras. Essa manhã sentira, ao se levantar, um certo desânimo, se é que era essa verdadeiramente a sensação. Não sabia o que fazer. Até que pensou nas folhas dos escritos que juntara pensando em montar um novo livro. Então, alegria. Alegria, sim. Veio uma alegria que cobriu todo seu campo interior.

Foi caminhar pelas redondezas do bairro, viu o mar cintilante. Aquilo é magnífico, que espetáculo. Perto do mercado dos pescadores, em Tambaú. Esse cintilar embaixo do sol. Uma maravilha. Andara pelas calçadas do bairro. O ponto de táxis perto do centro turístico. Passou em frente da  padaria e da casa do sertão. Chegou na lotérica, comprou uns bilhetes de loteria, após conversar com um senhor que aguardava a apertura da casa. Seguira de novo na direção do mar, da praia. Aquele cintilar. Pareciam  jóias, brilhantes a brilhar. O mar embaixo do sol.

A igreja de Santo Antônio de Pádua. A galeria Gamela. O Posto de Saúde das Praias. As calçadas por onde já tantas vezes andara. A farmácia, a breve saudação aos balconistas, já conhecidos de tantos anos. Uma sensação de aconchego, de agradecimento. Uma gratidão profunda. A banca de jornais onde comprara cartões postais. As conversas breves com as pessoas que o atenderam nas bancas. O porteiro do prédio e o seu bom dia.

Os vendedores de quinquilharias. Os moradores de rua. A floricultura e as rosas brancas. O churrasquinho. A loja de desenho. Cada lugar tinha suas lembranças. Muitas lembranças, em tão pouco tempo. Qual é o tempo? Quem  sabe alguma coisa sobre o tempo? Percepções visuais, espaciais, te contendo. Tú, contido neste mundo, no mundo invisível superposto ao visível. Religião? poesia? Sem dúvida.