Instituto Herzog: revelações sobre Geisel reforçam tese de revisão da Lei da Anistia

A revelação de dados segundo os quais o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) manteve uma pol´tica de execuções sumárias não chega a ser surpresa, segundo o Instituto Vladimir Herzog (IVH), mas “é mais uma prova de que não houve porões da ditadura; e sim uma política de Estado de terror, desaparecimentos forçados e assassinatos”.

Em nota, a entidade afirma que as informações reforçam “de maneira incontestável” as conclusões da Comissão Nacional da Verdade, em especial quanto à necessidade de uma reinterpretação da Lei da Anistia (Lei 6.683, de 1979).

“A anistia concedida a agentes públicos que ordenaram detenções ilegais e arbitrárias, torturas, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres – como o documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos atesta – é incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional, pois tais crimes, dadas a escala e a sistematicidade com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade, imprescritíveis e não passíveis de anistia”, afirma o instituto.

Por isso, acrescenta o IVH, torna-se urgente rever a lei: “Da forma em que está estabelecida, ela perpetua a impunidade, propicia uma injustiça continuada, impedindo às vítimas e a seus familiares o acesso à justiça, e afronta o dever do Estado de investigar, processar, julgar e reparar as gravíssimas e generalizadas violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar”. O instituto também considera inaceitável a explicação ainda adotada pelas Forças Armadas, que fala em “atos isolados” ou “excessos”.

Fonte: Rede Brasil Atual

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2018/05/instituto-vladimir-herzog-lei-da-anistia-precisa-ser-revista

(11-05-2018)

Comentários

comentários