Influência ou manipulação?

papaiJá faz vinte e quatro anos que meu pai se foi. A imagem que tenho de meu pai, no entanto, ainda é muito forte: Aquele sorriso, seu olhar, suas habilidades manuais, aquela dedicação em trabalhar, jogar tênis ou implementar novos projetos para a família… que pessoa admirável!

Ele não está mais aqui, mas me recordo e reproduzo alguns de seus jeitos e conselhos.
Por que ainda o sigo se ele não está mais por perto? Ele já não pode me cobrar e não posso agradá-lo mais com isso!

Simplesmente, tudo isso faz parte de mim, agora. O que ele foi e ensinou influenciaram quem sou hoje. Recebi instrução, disciplina, mas liberdade para escolher o que aprender e incorporar em mim.

Hoje sou criativa, estudiosa e sistemática como meu pai, sem ser tão reservada e perfeccionista como ele…

Penso nas pessoas manipuladoras e controladoras: Ameaçam, impõem, subornam, constrangem, chantageiam e vigiam para que tudo ocorra conforme determinado… não há liberdade, autonomia, tampouco paz. Sobrevivem de bajulação e abuso de poder.

Ao invés de manipulador, meu pai foi uma boa influência para mim: plantou sementes que brotaram conforme meu acolhimento e outras influências.

Em minha caminhada como criança, adolescente, jovem, filha, irmã, adulta, dentista, esposa, mãe, amiga, teóloga, conselheira e terapeuta comunitária, tenho aprendido sobre a importância de ajudar as pessoas a se empoderarem para pensar e fazer suas próprias escolhas. Como é importante saber perguntar e ouvir nesse processo tão construtivo!

É pensando e falando que os próprios indivíduos tomam consciência de suas carências, mas também de suas competências para agirem por elas mesmas. Isso gera autoestima, crescimento e autonomia, enquanto humaniza, sem endeusar a ninguém, nem quem os ajudou.

Essa influência, mesmo na ausência, está sempre presente!

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Mey Pestana é cirurgiã-dentista (FOUSP/1983), Especialista em Aconselhamento e Psicologia Pastoral (EST/2011), Bacharel em Teologia (SBN-FACETEN/2013), Terapeuta Comunitária Integrativa (ABRATECOM/2013), Mestre em Ciências das Religiões (PPGCR-UFPB/2017). Brasileira, caçula de quatro filhos de família imigrante da Indonésia (1960). Casada há 33 anos com Álvaro Cesar Pestana, mãe de Lucas (32) e Gabriela (26). Palestrante e facilitadora de rodas de TCI em Seminários e encontros femininos em todo o país. Aprecia a fé, a arte, boas leituras e amizades.

Seções: Educação, Infância & Adolescência, Opinião. Tags: , , , , , .

Impressionante como pessoas boas têm um poder sobrenatural de mudar nosso mundo, sem esforço algum…. Meu avô é assim… Meus pais, meu irmão, meu marido… Todos têm influência sobre quem sou eu… Mas a influencia maior que eles exercem, é me deixar segura e livre para fazer minhas próprias escolhas, trilhando me próprio caminho, sem ter que ser igual ou diferente de ninguém…. Isto não é manipular… é influenciar, é salvar, é libertar. E quem ama de verdade, liberta!

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