Índios são agredidos no Sul da Bahia. De novo

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog

Membros da Aldeia da Serra do Padeiro sofreram ataques e ameaças de fazendeiros durante manifestação de produtores rurais contra a demarcação de terras Tupinambá, no Sul da Bahia. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dois indígenas estavam na cidade de Buerarema vendendo farinha produzida na sua comunidade quando foram abordados por fazendeiros que os perseguiram e destruíram veículos usados pela aldeia.

De acordo com o Cimi, revoltados, os indígenas ocuparam uma fazenda localizada em uma reserva já demarcada, mas cuja posse ainda está com um dos incentivadores da agressão. A Polícia Federal teria desocupado a propriedade com violência, atirando e intimidando. Os que não conseguiram fugir para a mata foram detidos sob acusação de formação de quadrilha e reação à prisão, sendo depois liberados. “Temos direito à terra que nos pertence tradicionalmente. Além disso, esse fazendeiro é o principal agitador do povo contra nossa comunidade, mesmo não tendo motivos para isso”, afirmou a liderança Glicélia Jesus da Silva.

Isso me lembra dois fatos tristes. Primeiro, uma campanha veiculada anos atrás no Sul da Bahia, patrocinada por empresas e organizações ditas sociais. Fazem parte de um discurso terrorista contra os povos indígenas, que ajuda a criar um contexto em que perseguições nas cidades se tornam cada vez mais frequentes. Vá para Roraima e para o Mato Grosso do Sul, por exemplo, e perceba, através dos argumentos contra eles, o estrago das campanhas pelo “progresso” feito no imaginário popular. Que nem tocam na possibilidade de o desenvolvimento ser feito de forma sustentável, o que inclui não perseguir índios no meio da rua.

E a História continua sendo escrita e reescrita pelos conquistadores. No ritmo em que vão as coisas, se for deixar a elaboração dos livros didáticos na mão desse povo aí do outdoor, não me surpreenderia que fossem feitas algumas atualizações… “Em 22 de abril de 1500, o proprietário rural português Pedro Álvares Cabral, quando aportou no Sul da Bahia, estabeleceu comércio com caciques empreendedores, trocando miçangas por toras de eucalipto – o que foi altamente lucrativo para os locais. A primeira missa foi celebrada com a presença de dezenas de operários – entre os turnos da tarde e da noite – de forma a não prejudicar a produção…”

Foto: Blog do Sakamoto

Foto: Blog do Sakamoto

Além disso, o caso da violência contra os indígenas no Sul da Bahia também me lembrou de um trecho do documentário “Humilhados e Ofendidos”, de César Brie, sobre a violência sofrida por camponeses em Sucre, na Bolívia, em maio de 2008.

Eles foram espancados, humilhados, obrigados a andar nus na praça principal e a negar suas origens. Por quê? Porque são uma maioria indígena, lutando para ter direitos, em um país economicamente dominado por uma elite, muitas vezes, preconceituosa e reacionária.

É lá, mas podia ser aqui.

Comentários

comentários

Eles passaram por isso porque são usados pelo governo petista demagogo como massa de manobra.
Só vocês, defensores dos direitos humanos que ainda não entenderam.
Quando vocês saírem do mundo cor-de-rosa em que vivem e sacarem que nenhum movimento se organiza sem um líder com propósito claro, vocês entenderão.

  • Isso, vamos dar terra para os índios.
    Quando faltar arroz e feijão na sua mesa, peça para eles caçarem uma paca e lhe deram biju.
    FORA!

  • Nós somos deminados pela elite Branca européia,temos de pagar o dísimo a estes sanguessugas com nossa cultura, nossa terra e o snague de nossas crianças, seremos aos poucos encorporados, pelo menos as mulheres e aos poucos desapareceremos…Triste fim..!

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