Imagem perdida

Por Mário Quintana

Como essas coisas não valem nada
E parecem guardadas sem motivo
Alguma folha seca…uma taça quebrada
Eu só tenho um valor estimativo…
Nos olhos que me querem é que eu vivo
Esta existência efêmera e encantada…
Um dia hão de extinguir-se e, então, mais nada
Refletira meu vulto vago e esquivo…
E cerram-se os olhos da amada,
O meu nome fugiu e seus lábios vermelhos,
Nunca mais, de um amigo, o caloroso abraço…
E, no entretanto, em meio dessa longa viagem,
Muitas vezes parei… e, nos espelhos
Procuro em vão, minha perdida imagem!