Humanização

Ontem lemos a introdução do livro do Pe. José Comblin, “O Caminho. Ensaio sobre o seguimento de Jesus,” como parte das atividades formativas do grupo Kairós-Nós Também Somos Igreja. Destaco alguns itens que me chamaram a atenção.

(1) A auto-construção do ser humano. O ser humano como alguém que se faz a si mesmo. Esta ideia é libertadora. Nos mostra como resultantes das nossas próprias escolhas e decisões, em meio a uma cultura e sociedade que tenta nos depreciar, diminuir a nossa auto-estima, nos convencer de que não somos nada e nada valemos.

(2) A importância de uma educação que focalize na nossa capacidade de fazer. A pessoa excluída se recupera na medida em que vê que ela é capaz, que ela pode.

(3) A esperança nasce da alegria que temos ao ver que somos capazes.

(4) Diferentemente de leituras marxistas que tentam impor uma visão objetivizante do ser humano, o humanismo de algumas dessas vertentes ressalta a subjetividade.

A meu ver, o que deve ser resgatado, é muito mais do que a mera subjetividade (palavra que, em si, tem algo de pejorativo): trata-se de recuperar a totalidade das dimensões humanas, como bem diz Marx nos “Manuscritos Econômicos e filosóficos de 1844.”

Recuperar os sentidos que foram expropriados pela lógica da produção e da exploração capitalista. Recuperar a autonomia dos sujeitos que se redescobrem na sua originalidade e unicidade, mais além das ideologias que tratam de homogeneizar e apagar as diferenças. O papel da arte, que nos subtrai da temporalidade, nos internando no eterno.

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