Homilia do Papa Francisco, na missa de domingo de Ramos

Esta celebração tem como que um duplo sabor: doce e amargo; de glória e de dor, porque nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado como rei por Seus discípulos, e, ao mesmo tempo, nela é proclamada solenemente a narrativa do Evangelho de Sua Paixão.

Por isto, nosso coração sente um pungente contraste, e experimenta, em pequeníssima proporção, o que Jesus teve que que sentir, naquele dia: dia em que se alegrou com Seus amigos e em que chorou sobre Jerusalem.

Há trinta e dois anos, a dimensão alegre deste Domingo vem sendo enriquecida pelos jovens: a Jornada Mundial da Juventude, que este ano se celebra, em nível diocesano, mas que nesta Praça viverá, daqui a pouco, um momento sempre emocionante, de horizontes abertos, com a passagem da Cruz, trazida pelos jovens de Cracóvia para os do Panamá.

O Evangelho proclamado, antes da Procissão, descreve Jesus que desce o Monte das Oliveiras, montado num jumentinho, no qual ninguém antes havia montado, dando destaque ao entusiasmo dos discípulos , que acompanham o Mestre, com aclamações festivas. E é verossímil imaginar como isto contagiou rapazes e moças da cidade, que se juntaram àquele cortejo, com seus gritos. O próprio Jesus reconhece, nesta alegre acolhida, uma força incontrolável querida por Deus, e aos fariseus escandalizados responde: “Se eles se calarem, as pedras falarão.”

Mas, aquele Jesus que, conforme as Escrituras, entra na Cidade santa justamente daquele jeito, não é um mago, um vendedor de ilusões, não é um “profeta” do tipo “New Age”, a vender fumaça. É bem diferente: é um Messias bem determinado, com a fisionomia concreta do servo, o Servo de Deus e do homem que vai à Paixão: é o grande Paciente da dor humana.

Portanto, enquanto também nós fazemos festa pelo nosso Rei, pensemos nos sofrimentos que Ele deverá padecer, nesta Semana. Ele o tinha dito claramente aos Seus discípulos: “Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si memso, tome a sua cruz e siga-Me.” Nunca prometeu honrarias nem sucesso. Os Evangelhos falam claramente! Ele sempre advertiu Seus amigos, de que este era Seu caminho, e de que a vitória final passaria pela paixão e pela cruz. Para nós também vale o mesmo. Para seguirmos fielmente a Jesus, peçamos a graça de fazê-lo, não por palavras, mas pelos gestos. E peçamos para termos a paciência para suportarmos nossa cruz, para não recusá-la, não jogá-la fora, mas, ollhado para Ele, aceitá-la e carregá-la, dia a dia.

E este Jesus que, aceitando ser aclamado, mesmo sabendo bem que O espera o “Crucifique-O”, não nos pede para contemplá-Lo apenas nos quadros ou por fotografias ou nos vídeos que circulam nas redes. . Não! Ele está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que todos os dias padecem sofrimentos como Ele: sofrem por causa de um trabalho de escravo, sofrem por conta de dramas familiares, sofrem por causa das doenças… Sofrem por causa das guerra e do terrorismo, sofrem por causa dos interesses que movem as armas e as fazem ferir.. Homens e mulheres enganados, violados em sua dignidade, descartados. Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz cortada.

Não se trata de um outro Jesus. É o próprio Jesus, que está entrando em Jerusalém, entre os acenos dos ramos de oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e que morreu entre dois malfeitores. Não temos outro Senhor, além dEle: Jesus, Rei humilde de justiça, de misericórdia e de paz.

https://www.youtube.com/watch?v=r2SkixAc25I
(Do minute 1:15:55 ao minute 1:22: )
Trad.: AJFC

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