Hoje eu estou para mim, somente para mim

Hoje eu estou para mim, somente para mim. Hoje de manhã lembrei desta frase, e passei durante o dia, por diversas vezes, a meditar no seu conteúdo. É muito rico o que se conhece de si mesmo nesta exploração. Em primeiro lugar, o que achei mais importante e de um efeito imediato: uma sensação de direção, de olhar para si mesmo, de se acolher, se amar.

Vivemos em uma cultura em que o amor de si mesmo é posto de lado, apregoa-se o amor ao próximo, ignorando que o próximo mais próximo sou eu mesmo. Nesta frase na qual tenho meditado boa parte deste dia, há um sentido de direção, da pessoa se voltar para ela mesma, se olhar com ternura, com um profundo amor e acolhimento. Hoje eu estou para mim somente para mim, ouvimos nos cursos de Cuidando do Cuidador (1).

São pessoas voltadas para o cuidado humano, cuidado de pessoas doentes. Mas todos somos cuidadores, de algum modo. Você que cuida de tantas pessoas, se permita ser cuidado, ouvimos. Hoje enquanto mediava nesta frase de sentido tão profundo, percebia de imediato um alívio muito grande. Eu me voltar para mim mesmo, eu voltado na direção de mim mesmo, na direção da minha própria pessoa. Isto é uma revolução. Eu olhar para mim mesmo, da um alívio muito grande.

E a segunda constatação, é a de que esse amor de mim mesmo, por mim mesmo, a mim mesmo, cria como que um casulo, uma auto-contenção, um lugar de paz dentro de mim mesmo. Já não preciso andar então tão atrás das outras pessoas, o que fazem ou deixam de fazer, como são ou se gosto delas ou não. Hoje eu estou para mim, somente para mim. Cria como que uma reorientação das minhas energias.

Já não me importa tanto o que os outros fazem ou dizem, mas não por uma indiferença, e sim por um centramento. Estou olhando na minha própria direção, na direção do ser que eu sou. Isto estabelece uma quietude, uma paz interior. Não que eu me isole do mundo exterior, das pessoas em volta, não, não é isso. É até o contrário, em certo sentido.

Por estar tão centrado em mim mesmo, por estar tão para mim mesmo, ando pelo mundo e me relaciono com as outras pessoas desde um lugar que as inclui sem me excluir. Antigamente vivia uma contradição: ou eu sou eu mesmo, ou vivo em comunidade. Agora sou eu mesmo, por viver em comunidade. O sistema cria falsas oposições, mas elas podem ser desfeitas, mediante trabalhos de formiga, sutis mas muito efetivos, como este que aqui se descreve.

(1) Tecnologia de cuidado humano desenvolvida por Adalberto Barreto.