Governo Federal, Estadual e sociedade civil unem forças no combate à discriminação religiosa

Autoridades assinam convênio para criação de Centro de Referência de Enfrentamento à Intolerância Religiosa e a Promoção dos Direitos Humanos

 

 
A cerimônia aconteceu no Teatro Gláucio Gill na última segunda-feira (22/3). O Ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos; a Secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva e o Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, Cláudio Nascimento marcaram presença para a assinatura do convênio. Estiveram presentes também importantes lideranças religiosas como Mãe Beata de Iemanjá, Marcus Resende, Saladim Mohammed, entre outros.

 
“O Brasil é um país de todos, independentemente de credo, cor ou raça. Enxergamos a criação do Centro de Referência como uma importante ferramenta na diminuição dos crimes religiosos; além, é claro, de fomentar a aceitação e o orgulho da identidade negra”, afirmou o Ministro Édson Santos.

 
Já a Secretária Benedita da Silva destacou que “a grande responsabilidade deste convênio que estamos assinando agora para a construção de uma política de paz e respeito. Nossa secretaria, através da SuperDir, tem desempenhado um papel importante neste processo; principalmente em determinados setores que eu possa ter algum limite”, admitiu.

 
O Superintendente Cláudio Nascimento vai além: ”a questão do Centro de Referência e do Estado Laico não pode ser pretexto para não se posicionar frente às situações de discriminação em razão da religiosidade. Por isso, este CR assumirá um papel importantíssimo na defesa de vítimas e segmentos que sofrem intolerância e discriminação religiosa, pois garantirá e promoverá os direitos humanos como um valor de promoção da diversidade”.

 

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Investimentos
 A iniciativa de criação do CR foi da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos (SuperDir) da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). O total do investimento para a implantação do CR, envolvendo as duas instâncias governamentais, é de quase 500 mil reais.

 
Segundo momento: Quem é de Axé diz que é!
Logo após a assinatura do convênio, o diretor do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcus Resende falou sobre a campanha Quem é de axé diz que é! “Será um passo importante para o combate à intolerância religiosa, uma vez que ao assumir sua religiosidade, o praticante, tendo sua auto-estima elevada, adotará cada vez mais os elementos visíveis desta afirmação, sem vergonha ou pudor”.

 
Estatísticas
Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), apenas 0,3% da população geral do país se declaram praticantes de religiões de matrizes africanas, sejam elas o candomblé, a umbanda, o omolocô, o tambor de mina, o batuque entre outros que formam o mosaico da religiosidade brasileira. “Se nos declararmos como devemos ao censo, será possível obtermos números; dados; e assim marcarmos nossa existência para assumir sem culpa a nossa religiosidade”, estimula o Superintendente Cláudio Nascimento.

 

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Outras representações
O representante dos judeus, Saladim Mohammed  alerta que “o criador criou a diversidade e é isso que todos devem respeitar. Somos todos iguais, mesmo com as nossas diferenças”; após ter citado um trecho do Alcorão – livro sagrado do Islamismo.

 
Ao fim ocorreram atividades culturais, como dança e esquetes teatrais cujo objetivo era a reflexão das identidades religiosas. O evento também serviu para que as autoridades assinassem o termo de compromisso para apoio a projeto de catalogação de peças religiosas afro-brasileiras que foram seqüestradas nas décadas de 30 e 40 e durante a ditadura militar.

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