Final da Copa: Sindicato dos Jornalistas do Rio acusa autoridades de violar direitos humanos; 15 profissionais foram agredidos

“O aparato militar resultou em prisões arbitrárias, ferimentos e no cerceamento do ir e vir de manifestantes e também de pelo menos 15 jornalistas e comunicadores populares”, diz o Sindicato. Veja a lista completa.


Foto: via Carlito Azevedo

O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro emitiu uma nota neste domingo (13) uma nota de repúdio à violência policial que feriu 15 jornalistas e comunicadores no dia da final da Copa do Mundo da FIFA.

Sob a justificativa da garantia da ordem durante a final da Copa do Mundo, diz a nota, o Estado brasileiro e o governo estadual do Rio de Janeiro ignoraram direitos individuais e coletivos de brasileiros e visitantes, assim como cassaram a liberdade de expressão e a de imprensa.

“O aparato militar armado utilizado para reprimir as manifestações que ocorreram ao longo do dia na Tijuca resultou em prisões arbitrárias, ferimentos e no cerceamento do ir e vir de manifestantes e também de pelo menos 15 jornalistas e comunicadores populares”, diz o Sindicato.

Acesse a nota e, a seguir, a lista dos 15 jornalistas e comunicadores agredidos pela Polícia Militar.

Nota de repúdio à violência policial que feriu 15 jornalistas e comunicadores neste domingo

Sob a justificativa da garantia da ordem durante a final da Copa do Mundo, neste domingo (13/7), no Maracanã, o Estado brasileiro e o governo estadual do Rio de Janeiro ignoraram direitos individuais e coletivos de brasileiros e visitantes, assim como cassaram a liberdade de expressão e a de imprensa.

O aparato militar armado utilizado para reprimir as manifestações que ocorreram ao longo do dia na Tijuca resultou em prisões arbitrárias, ferimentos e no cerceamento do ir e vir de manifestantes e também de pelo menos 15 jornalistas e comunicadores populares.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia com veemência essa violenta política de repressão aos movimentos sociais e aos jornalistas e pede a atenção dos organismos internacionais de Direitos Humanos para que pressionem o governo brasileiro no sentido de restabelecer as condições dignas de um Estado democrático de direito.

Neste tarde, além dos casos de agressões, houve também o cerceamento ao trabalho dos jornalistas e comunicadores em meio à repressão aos atos de protesto realizados na Tijuca. Os profissionais de imprensa foram impedidos de deixar a Praça Saens Peña durante duas horas, junto de cerca de 200 manifestantes. Esse grupo teve de enfrentar, sem possibilidade de refúgio, agressões físicas e o efeito das bombas de gás lacrimogêneo.

Com os novos casos de violência policial contra jornalistas e comunicadores registrados neste domingo, o relatório do Sindicato dos Jornalistas eleva essa triste estatística para 92 profissionais e comunicadores que foram vítimas de agressões e cerceamento desde maio do ano passado. O Sindicato vai encaminhar uma nova versão atualizada desse relatório às autoridades da Justiça e da Segurança Pública nos níveis estadual e municipal, assim como às autoridades e ONGs de direitos humanos nacionais e internacionais.

Abaixo, segue a lista dos jornalistas que foram identificados como agredidos na cobertura dos atos deste 13/7 de protesto contra o desvio de verbas públicas para a Copa e para pedir a liberdade aos presos políticos do Rio de Janeiro. Entre os presos, está a radialista Joseane de Freitas, da Empresa Brasil de Comunicação, presa neste sábado (12/7) em casa, sem qualquer motivo esclarecido, e acusada de formação de quadrilha com mais 16 adultos e dois adolescentes.

O Sindicato, por meio de seu advogado Lucas Sada, deu entrada em um pedido de habeas corpus em favor da radialista, mas este foi negado no plantão judiciário deste domingo. O Sindicato também teve negado nesta semana um Mandado de Segurança para garantir o livre ir e vir de jornalistas no entorno do Maracanã, onde a PM realizou barreiras nos dias dos jogos da Copa.

Tais práticas de Estado caracterizam grave ofensa a nossa categoria e prejudicam a sociedade como um todo. Sem o respeito ao direito à informação, não há garantia de liberdade ou de democracia.

SINDICATO DOS JORNALISTAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

Jornalistas e comunicadores agredidos:

  • Samuel Tosta – diretor do Sindjor-Rio – freelancer – ferido nas costas por estilhaços de bomba
  • Gizele Martins – diretora do Sindjor-Rio – editora do jornal Cidadão – crise de asma por inalação de gás lacrimogêneo
  • Mauro Pimentel – repórter fotográfico do Terra – chutado e golpeado no rosto e nas pernas com cassetete, teve a lente da câmera quebrada e a máscara de gás quebradas
  • Ana Carolina Fernandes – repórter fotográfica da Agência Reuters – teve a máscara de gás arrancada por um PM que a atacou com spray de gás de pimenta
  • Boris Mercado – repórter fotográfico peruano – chegou a ser detido e agredido
  • Jason O’Hara – repórter cinematográfico canadense – internado no Hospital Municipal Souza Aguiar em decorrência dos ferimentos
  • Oswaldo Ribeiro Filho – jornalista da agência inglesa Demotix – teve uma bomba de gás jogada em seu rosto
  • Filipe Peçanha – comunicador da Mídia Ninja – vítima de espancamento por oito PMs e a lente da câmera quebrada.
  • Leo Correa – repórter fotográfico freelancer – vítima de agressões físicas por PMs.
  • Tiago Ramos – jornalista do SBT Rio – ferido por estilhaços de bomba em um dos braços.
  • Luigi Spera – Jornalista italiano – vítima de agressões físicas por PMs.
  • Aloyana Lemos – documentarista – detida com violência por PMs e levada para a 21ª DP (Bonsucesso)
  • Bernardo Guerreiro – comunicador da Mídia Ninja – teve sua lente quebrada e foi agredido com spray de pimenta no olho a curta distância
  • Augusto Lima – jornalista do Coletivo Carranca – teve o celular quebrado quando foi agredido a golpes de cassetete.
  • Loldano da Silva – repórter fotográfico – agredido com dois golpes de cassetete no braço esquerdo, levado para o Souza Aguiar.