Fim de Copa para o Brasil

Felipe Melo: Fim de Copa para o Brasil# E aconteceu o que já se anunciava: o Brasil perdeu, de virada, para a Holanda. Não há muito a dizer sobre o jogo. Até há, mas não sinto hoje a menor vontade de escrever sobre o escrete. De certa forma, todos sabíamos que ia dar merda. Chegamos até a acreditar que podíamos ir longe (porque nosso papel de torcedores é acreditar), mas no fundo sabíamos que nossa participação no Mundial tinha data marcada para acabar: era quando cruzássemos com o primeiro time copeiro, de camisa e tradição. Dito e feito.

# Ontem acordei com um pressentimento horrível, mas não disse a ninguém. Me surpreendi com o ótimo primeiro tempo da Seleção. Acho mesmo que, se tivéssemos feito mais um gol naquele momento (o pênalti sobre Kaká que o juiz não deu, a bola que Juan isolou por cima do travessão, o chute do Maicon, no minuto final, que quase entra no cantinho…), poderíamos ter saído de campo com uma vitória maiúscula sobre os holandeses. Se… Mas faltou-nos algo imprescindível para quem pensa em ser campeão: equilíbrio emocional.

# A entrevista de Felipe Melo após a partida foi de uma frieza atroz. Além de demonstrar não compreender a real dimensão e importância de uma Copa do Mundo, não reconheceu seus erros grotescos que determinaram a eliminação brasileira (a trapalhada com o goleiro Júlio César, que resultou no gol contra, e a entrada violenta que gerou sua expulsão). Júlio, pelo menos, teve a hombridade de pedir desculpas publicamente. E suas lágrimas não foram de crocodilo, como as de Felipe Melo (caso ele as tivesse derramado).

# Felipe Melo pouco se esforçou para parecer triste com a derrota. Pensei que ele fosse rir, num determinado momento, enquanto respondia aos jornalistas. Declarou, o pulha, que pisar um jogador caído não era uma atitude tão covarde assim. “Eu teria quebrado, se quisesse, a perna do cara”. Felipe Melo, o volante cujo maior sonho era ser um lutador de vale-tudo, conseguiu o que queria: entrar para a história, ainda que como vilão. Ele sai da Seleção Brasileira da mesma forma como entrou: pela porta dos fundos.

# Triste demais foi o choro de Gyan, o jogador de Gana que perdeu um pênalti contra o Uruguai aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação. Tivesse convertido e Gana seria o primeiro país africano a chegar numa semifinal de Copa do Mundo. Não chorei com a eliminação do Brasil, mas senti um travo na garganta com a desolação do time africano. E principalmente com o choro incontrolável de Gyan, um bom jogador que não merecia um fim como este na Copa da África.

# Mas, apesar de comovido com a tristeza ganense, vibrei como nunca diante do heróico gesto de Suárez, o centroavante uruguaio que tirou a bola com as duas mãos, feito goleiro, quando ela já ia entrando na meta celeste no instante derradeiro da partida. Expulso do jogo (e talvez de toda a Copa), foi o símbolo máximo do sacrifício individual em prol do coletivo. O nome de Suárez deveria ser imortalizado e incluído no panteão de heróis da pátria uruguaia; e seu gesto de nobre desprendimento, transformado em busto no centro de Montevidéu. Depois de 40 anos, o Uruguai volta a estar entre os quatro melhores do mundo. Viva o Uruguai!

# Argentina entra em campo dentro de poucas horas e deposito toda a minha fé no time de Maradona. Que os hermanos atropelem os impávidos alemães, silenciem a fúria espanhola e façam, com os uruguaios, uma das finais mais equilibradas, emocionantes e aguerridas da história das Copas. Viva a Argentina!

# Toda a minha torcida contra a Holanda. Por mais que os jogadores holandeses não tenham culpa do que houve no passado, seria uma ironia que os bôeres, responsáveis pelo regime racista do apartheid, fossem campeões na África do Sul, terra de Nelson Mandela.

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