Fiandeiras

Por Ana Maria Machado

Um tênue fio nos liga
de segredos e esperanças
como um cordão que alimenta
e ameaça romper-se
a qualquer hora.
 Fio de vida e de morte
um tênue fio das Moiras
construído passo a passo
de gratidão e memória.
Construtoras do destino
tecelãs de nossas vidas
fiamos juntas, sozinhas,
tecidos de eternidades.
Fiando às vezes silêncios
os fios se embaraçam,
dão nós e arrebentam…
E do Nada surgem, então,
como de mãos invisíveis,
lãs quentes, jutas rudes, sedas suaves…
E voltamos a tecer,
num trabalho incessante,
fiandeiras de nós mesmas,
tecidos de nossas almas.

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