FAO critica preconceito de gênero, classe e etnia enfrentado por mulheres indígenas

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, pediu nesta sexta-feira (12) o fim da “discriminação tripla” enfrentada pelas mulheres indígenas, suscetíveis a preconceito e exclusão por seu gênero, por serem de povos originários e por serem pobres. Chefe da agência da ONU defendeu o empoderamento social e econômico desse grupo populacional.

“As mulheres indígenas sofrem taxas muito mais altas de pobreza, desnutrição crônica e analfabetismo, assim como (têm) menor acesso à atenção médica e à participação na vida política”, enfatizou o dirigente em pronunciamento para representantes de 12 países, durante o Fórum regional sobre Mulheres Indígenas, na Cidade do México.

Evento organizado pela FAO reúne, até sábado (13), especialistas e lideranças da Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai e Peru. Entre os participantes brasileiros do Fórum, estão representantes da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD) e da Rede de Juventude Indígena (REJUIND)/Rede de Jovens do Brasil.

Na América Latina e no Caribe, vivem cerca de 45 milhões de indígenas. Eles são 8,3% da população total da região, mas estão super-representados entre os mais miseráveis — 15% dos que passam fome e estão em situação de pobreza extrema são indígenas.

As mulheres indígenas latino-americanas e caribenhas enfrentam taxas mais altas de pobreza e desnutrição do que qualquer outro grupo social e chegam a ganhar até quatro vezes menos do que os homens indígenas, segundo o novo atlas regional da FAO sobre mulheres rurais.

A nível global, a situação é ainda pior. Existem 370 milhões de pessoas que se reconhecem como indígenas — o que equivale a 5% da população mundial. Mas quando avaliada a parcela mais afetada pela pobreza, a proporção sobe para 15%. Os indígenas se dividem em mais de 5 mil tribos distintas espalhadas em mais de 90 países e falam, somados, mais da metade de todos os idiomas do mundo.

Graziano disse que “as mulheres indígenas enfrentam uma discriminação tripla que inclui a pobreza, o gênero e a etnia, tanto dentro como fora de suas comunidades, o que as torna altamente vulneráveis”. “Seu empoderamento social e econômico não é apenas uma excelente maneira de apoiá-las, mas também uma condição necessária para erradicar a fome e a má nutrição em suas comunidades”, completou.

Na avaliação do dirigente, a decisão das Nações Unidas de criar uma Década da Agricultura Familiar a partir de 2019 trará uma plataforma sólida para discutir os meios de subsistência rurais, que são também, majoritariamente, os meios de sobrevivência dos indígenas.

FAO pela liderança das mulheres indígenas

O chefe da FAO criticou que as mulheres indígenas sejam, muitas vezes, esquecidas dos planos de desenvolvimento, sobretudo porque elas são atores-chave na proteção da biodiversidade, na adaptação às mudanças climáticas e na diversificação das dietas.

“Elas têm um papel fundamental nos âmbitos espiritual, social e familiar e são guardadoras de semente e portadores importantes de conhecimento especializado”, frisou Graziano. Os territórios indígenas cobrem 22% da superfície da Terra e são o lar de 80% da biodiversidade do planeta.

Por isso, a FAO defende o engajamento político e a presença das mulheres indígenas em posições de liderança comunitária e governamental. O organismo da ONU criou escolas de liderança para essa população na Bolívia, Peru, Filipinas, Panamá, El Salvador e Paraguai. Segundo o chefe da agência, programas serão ampliados em 2018.

Fonte: Nações Unidas

https://nacoesunidas.org/fao-critica-preconceito-de-genero-classe-e-etnia-enfrentado-por-mulheres-indigenas/

 

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